
João Pessoa se destaca no Nordeste pela geração de empregos, mas enfrenta desafios na qualificação profissional. A Prefeitura, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedest), atua na ponte entre empresas e trabalhadores, oferecendo capacitação e intermediação de mão de obra para suprir gargalos em setores estratégicos da economia local.
A capital paraibana encerrou o ano de 2025 com um impressionante saldo de 15.904 novos postos de trabalho, consolidando-se como a cidade nordestina com o maior crescimento proporcional na geração de empregos. No entanto, setores essenciais como construção civil, serviços, comércio e tecnologia registram dificuldades em preencher vagas, evidenciando um descompasso entre a demanda do mercado e a qualificação dos profissionais disponíveis.
Desafios na Construção Civil e Serviços
O secretariado executivo de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, João Bosco, explica que, apesar do volume expressivo de contratações, a cidade lida com gargalos significativos em áreas que exigem técnicas específicas ou que sofrem com alta rotatividade de pessoal. Na construção civil, por exemplo, há carência de pedreiros especializados, armadores de ferragens, carpinteiros e mestres de obras. O setor está aquecido, mas a oferta de mão de obra qualificada não acompanha o ritmo dos novos empreendimentos.
No setor de serviços, especialmente na gastronomia, a demanda por cozinheiros, garçons e atendentes bilíngues é alta, impulsionada pelo turismo. Contudo, muitos candidatos não possuem a preparação necessária para o padrão de atendimento exigido. Esse cenário reflete um fenômeno de descompasso de qualificação, onde a economia da cidade se moderniza e cresce mais rapidamente do que a formação da força de trabalho.
Tecnologia, Comércio e Logística também sentem a falta de profissionais
Outros setores econômicos importantes também apresentam demandas por profissionais qualificados. Na área de tecnologia e operações técnicas, há procura por mecânicos de manutenção, eletricistas industriais e profissionais de tecnologia da informação de nível intermediário. O setor de comércio e a atividade de logística sofrem com a falta de operadores de empilhadeira e auxiliares de logística com conhecimento em sistemas de gestão.
João Bosco ressalta que as novas gerações buscam ocupações que se afastam do esforço físico braçal, o que pressiona setores como a construção civil a buscar automação ou oferecer melhores benefícios para atrair e reter talentos.
Sine-JP e o Programa ‘Eu Posso Aprender’ como Soluções
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedest) atua como intermediária entre as empresas e os trabalhadores por meio do Sistema Nacional de Emprego em João Pessoa (Sine-JP). A coordenadora do Sine-JP, Jessyka Barros, destaca que, além da intermediação, o serviço oferece orientação, qualificação e encaminhamento profissional. A Sedest, por sua vez, desenvolve políticas públicas focadas no fortalecimento da empregabilidade e no desenvolvimento econômico, visando reduzir obstáculos e garantir um crescimento sustentável e com mais oportunidades para a população.
Um dos pilares dessa ação é o programa ‘Eu Posso Aprender’, que em 2025 ofereceu 54 cursos e capacitou 5.431 pessoas. O programa tem como objetivo identificar as carências de profissionais e oferecer a qualificação específica necessária. “O desenvolvimento do programa ‘Eu Posso Aprender’ é o nosso ‘carro-chefe’ para sanar esses gargalos do setor produtivo”, afirma João Bosco, enfatizando a importância das parcerias com o Sistema S (Sesc, Senac e Senai), outras secretarias municipais e instituições de ensino como Uninassau, Faculdade Três Marias, Faculdade da Paraíba (FPB), Prepara Cursos, além do Labin e Inovatec-JP.
Cursos Sob Demanda para um Mercado Dinâmico
A oferta de cursos do programa ‘Eu Posso Aprender’ é diretamente alinhada às demandas dos setores produtivos. O monitoramento das vagas não preenchidas no Sine-JP por falta de candidatos qualificados direciona a criação de novas formações. Se há, por exemplo, 100 vagas para padeiro e nenhum profissional qualificado, um curso rápido de panificação é formatado.
O diretor de Capacitação do ‘Eu Posso Aprender’, Raony Pontes, reforça que a qualificação profissional oferecida está em sintonia com as necessidades atuais da economia local. Cursos como o de operador de máquinas pesadas, que formou mais de 70 pessoas, atendem diretamente ao aquecimento da construção civil. Da mesma forma, o curso de bartender surgiu como resposta ao crescimento expressivo do setor de bares e restaurantes na cidade.
Diversidade de Segmentos e Formato Híbrido de Ensino
Ao longo de 2025, os cursos abrangeram diversos segmentos, incluindo empreendedorismo (marketing digital, gestão empresarial, inteligência financeira), indústria (máquinas pesadas, costura industrial), artesanato (futuro do artesanato, empreendedorismo e empregabilidade para artesãos) e serviços (turismo, gastronomia com foco em pizza, hambúrguer artesanal e doces para festas, e beleza com cursos de design de sobrancelhas e maquiagem).
As capacitações do ‘Eu Posso Aprender’ utilizam um modelo híbrido, combinando plataforma online para a teoria, com o apoio de parceiros e da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secitec), e parcerias presenciais para a prática. O foco está em áreas como gestão de pequenos negócios, vendas, tecnologia e serviços, preparando os profissionais para as exigências de um mercado de trabalho em constante evolução.




