Toffoli reduz prazo para depoimentos e centraliza análise de provas em inquérito sobre fraudes no Banco Master
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou um novo cronograma para os depoimentos na investigação de **fraudes bilionárias no Banco Master**. A decisão, anunciada nesta sexta-feira (16), **reduz o tempo para a Polícia Federal (PF) ouvir os investigados de cinco para dois dias**. A medida altera o calendário original, que previa as oitivas entre os dias 23 e 28 deste mês, e intensifica o debate sobre a responsabilidade pela análise das provas na Operação Compliance Zero.
Análise de Provas Deslocada para a PGR
Esta mudança no cronograma de depoimentos é o mais recente capítulo de uma série de decisões tomadas por Toffoli que divergem do rito padrão das investigações. Na última quarta-feira (14), o ministro já havia determinado que todo o material apreendido na segunda fase da operação, incluindo celulares e computadores, fosse encaminhado diretamente para a Procuradoria-Geral da República (PGR). A prática usual é que esses materiais sigam para a Polícia Federal, que é responsável pela condução inicial da investigação.
Sob a nova determinação, a PF terá apenas a permissão de acompanhar a extração dos dados, que será realizada pela PGR. Na quinta-feira (15), Toffoli deu um passo adiante ao autorizar que **quatro peritos, indicados por ele, tivessem acesso ao material** para realizar a análise em conjunto com o órgão acusador. A investigação em questão apura crimes graves, como **gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro**, envolvendo valores bilionários.
Críticas e Preocupações da Classe Pericial
A decisão de Toffoli gerou reações e críticas por parte da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF). Em nota oficial, a entidade declarou que acompanha os desdobramentos com “atenção” e preocupação. Para a APCF, a determinação de entregar a análise das provas ao órgão de acusação pode gerar **“riscos operacionais e técnicos”**, além de potencialmente levar à **perda de vestígios importantes** para a investigação.
A associação ressalta que, embora reconheça a importância do Ministério Público, **não compete a este órgão “a elaboração de provas a partir da análise dos vestígios”**. Peritos da PF expressam o temor de que essa medida possa comprometer a **cadeia de custódia** e a integridade do material coletado, elementos fundamentais para a solidez de qualquer processo judicial.
Próximos Passos e Continuidade da Investigação
Com as novas diretrizes, o ministro Dias Toffoli aguarda agora que a Polícia Federal **sugira novas datas** para a realização dos depoimentos. Estes deverão ocorrer de forma concentrada em apenas dois dias, conforme determinado. A investigação, que tramita em sigilo no STF, segue em andamento com a análise das provas sob a responsabilidade da PGR. Todo o procedimento está sendo acompanhado de perto pela PF e por outros órgãos de controle, em um cenário que continua a gerar debates sobre a condução de investigações complexas.