
Inep afirma que resultados do Enamed são válidos e não há erros
O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palacios, declarou que não existem erros nos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A avaliação abrangeu 351 cursos de medicina em todo o Brasil.
Desempenho insatisfatório e o conceito Enade
Cerca de 30% dos cursos avaliados apresentaram um desempenho considerado insatisfatório, caracterizado pela proficiência de menos de 60% dos estudantes. Este resultado é crucial para o cálculo do Conceito Enade das instituições, que varia de 1 a 5. Notas 1 e 2 são classificadas como insuficientes pelo Ministério da Educação (MEC).
Associações de faculdades levantam questionamentos
Associações que representam faculdades privadas têm questionado o não atingimento da proficiência por parte dos estudantes. Elas alegam divergências entre os dados reportados ao sistema e-MEC em dezembro do ano passado e os números divulgados recentemente, especialmente quanto ao total de alunos considerados proficientes.
Reconhecimento de divergência e correção de dados
Manuel Palacios reconheceu a divergência nas informações, atribuindo-a a um erro interno no Inep relacionado à comunicação via sistema e-MEC. Ele assegurou, no entanto, que esse dado incorreto não foi utilizado para a classificação final dos cursos. “Houve um erro aqui no Inep desse quantitativo. Mas esse dado não foi utilizado para qualquer cálculo dos indicadores de qualidade dos cursos”, afirmou o presidente do Inep.
Palacios explicou que a falha ocorreu em uma comunicação interna restrita às instituições, com uma prévia do número de alunos com proficiência que continha dados incorretos. Os boletins dos participantes, os resultados publicados para os cursos e o Conceito Enade final, segundo ele, não apresentam qualquer problema.
“Os resultados são válidos, estão corretos e não há qualquer intercorrência na publicação desses resultados, tanto daqueles que participaram e receberam o boletim por meio da plataforma do participante, quanto a publicação recente dos resultados”, garantiu.
ABMES critica alterações metodológicas e falta de transparência
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) destacou em nota que as inconsistências foram reconhecidas pelo próprio MEC e pelo Inep. A entidade apontou que o Inep publicou sucessivas notas técnicas após o encerramento do exame e do prazo de recursos, alterando critérios metodológicos.
“Medida tão grave quanto foi a alteração dos conceitos que haviam sido apresentados, em dezembro, para as instituições de educação superior. Os dados não batem com os que foram divulgados ontem (19) para a imprensa”, criticou a ABMES.
A associação também ressaltou que a divulgação dos microdados sem a devida ligação entre alunos e instituições inviabiliza a checagem e a manifestação das faculdades sobre os resultados. “Essa medida não apenas inviabiliza a checagem dos dados pelas instituições como as impede de fazerem corretamente suas manifestações em relação aos resultados divulgados”, concluiu.
Consequências de resultados insatisfatórios
Um Conceito Enade insatisfatório pode levar à aplicação de medidas cautelares pelo MEC, incluindo restrição de vagas em cursos de medicina e impedimento de novos ingressos.
Prazo para manifestação das instituições
O Inep abrirá um prazo de cinco dias, a partir da próxima segunda-feira (26), para que as instituições possam esclarecer dúvidas e apresentar suas manifestações a respeito do cálculo do resultado da avaliação dos cursos do Enamed.



