CPMI do INSS avança e mira sócia de Flávio Bolsonaro em investigação de fraudes
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que investiga um expressivo rombo financeiro causado por descontos indevidos e fraudes previdenciárias, está prestes a dar um passo significativo em direção ao núcleo político do cenário nacional. Parlamentares da comissão articulam, para esta semana, a votação de um requerimento que visa convocar Letícia Caetano dos Reis. Ela é apontada como sócia do senador Flávio Bolsonaro em empreendimentos privados.
Objetivo da convocação: esclarecer supostas conexões políticas
O objetivo principal da convocação de Letícia Caetano dos Reis é esclarecer supostas conexões entre o gabinete do senador Flávio Bolsonaro e o grupo liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”. Este grupo está sob investigação por supostamente operar um esquema que teria desviado recursos públicos por meio de associações que realizavam cobranças não autorizadas diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas. A investigação busca entender como essas entidades conseguiam acesso facilitado aos sistemas do INSS.
Linha de investigação foca em movimentação e lavagem de dinheiro
A linha de investigação que envolve Letícia Caetano dos Reis foca em verificar se empresas ligadas a aliados do senador Flávio Bolsonaro foram utilizadas para movimentar ou lavar recursos oriundos das fraudes. Além disso, busca-se entender se houve alguma forma de facilitação no acesso a órgãos federais para o grupo do “Careca do INSS”. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, e o presidente, senador Carlos Viana, têm concentrado esforços em mapear justamente esses mecanismos de acesso facilitado.
Outros depoimentos importantes estão previstos na CPMI
A CPMI do INSS vive uma fase decisiva, com outros depoimentos de peso agendados. No dia 25 de fevereiro, está previsto o depoimento do empresário Maurício Camisotti. Outro nome de destaque na mira do colegiado é Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, cujas investigações se concentram em irregularidades relacionadas a empréstimos consignados. O rombo estimado pelas investigações ultrapassa a marca de R$ 6 bilhões.
Expectativa é de relatório final até março de 2026
A expectativa é que o relatório final da CPMI seja entregue até o final de março de 2026. Até o momento, a assessoria do senador Flávio Bolsonaro não se manifestou oficialmente sobre o requerimento de convocação de sua sócia. Em declarações anteriores sobre a CPMI, o senador defendeu a investigação de irregularidades, mas criticou o que ele classifica como “politização” de nomes ligados à sua família.