PF: Bolsonaro tem condições de saúde para seguir na Papudinha, aponta laudo

Laudo da Polícia Federal aponta que ex-presidente Jair Bolsonaro possui condições clínicas para permanecer na unidade prisional em Brasília.

Um laudo pericial divulgado pela Polícia Federal, com análise da Junta Médica Oficial, concluiu que o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro tem condições de continuar cumprindo pena na Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília. A informação, divulgada nesta sexta-feira (06), indica que, embora a saúde do ex-mandatário demande cuidados contínuos e monitoramento, os peritos negaram a necessidade de transferência para um hospital penitenciário ou prisão domiciliar.

A perícia foi solicitada pela defesa de Bolsonaro após um episódio de queda e relatos de debilidade física. O documento, com 53 páginas, detalha uma série de doenças crônicas, mas classifica o quadro geral como “estável”. A principal conclusão dos peritos criminais federais é que, apesar da idade e das múltiplas doenças, o ambiente prisional atual é compatível com o tratamento, desde que sejam feitas adequações necessárias.

Cuidados contínuos, mas sem hospitalização

Em seu parecer, os médicos afirmaram categoricamente: “O quadro clínico geral do periciado é estável, não havendo necessidade de encaminhamento de urgência no momento. Por outro lado, é inegável a presença de comorbidades crônicas que ensejam controle e acompanhamento.” A defesa alegava condições graves como pneumonia, anemia e depressão para justificar a saída da unidade, mas o laudo não comprovou a existência dessas três condições específicas após os exames.

Lista de doenças confirmadas e o risco de quedas

O exame clínico direto e a análise de documentos médicos confirmaram que Bolsonaro é portador de sete condições principais que exigem “otimização terapêutica”. Estas incluem Hipertensão arterial sistêmica, Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) grave, Obesidade clínica, Aterosclerose sistêmica, Doença do refluxo gastroesofágico, Queratose actínica (lesões de pele) e Aderências intra-abdominais (decorrentes de múltiplas cirurgias). Sobre a gravidade do caso, o laudo destaca: “Tais comorbidades não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar.”

Um ponto de alerta levantado pela perícia diz respeito à medica��ão utilizada pelo ex-presidente, especialmente para o tratamento de soluços incoercíveis, que inclui o uso de Clorpromazina e Gabapentina. O laudo aponta que a interação entre os diversos medicamentos, um fenômeno conhecido como polifarmácia, pode estar causando sedação excessiva e tonturas, o que explicaria o episódio recente de queda. “O uso concomitante especialmente de medicamentos que atuam no sistema nervoso central e cardiovascular cria, portanto, um cenário farmacológico de risco, no qual os possíveis efeitos adversos – sedação, letargia, tontura […] – apresentam relação com o risco de queda”, diz trecho da análise.

Adaptações necessárias na “Papudinha”

Para que Bolsonaro permaneça na unidade militar com segurança, a Polícia Federal estipulou uma série de exigências estruturais e de rotina. O local, que possui 38,5 m² na parte interna e conta com quarto-sala, copa e banheiro, precisará de ajustes para evitar novos acidentes. Entre as recomendações obrigatórias listadas no laudo estão a instalação de grades de apoio em corredores e no box do banheiro, campainhas de pânico/emergência adicionais para monitoramento em tempo real, acompanhamento contínuo nas áreas comuns, dieta fracionada e acompanhamento nutricional rigoroso, além de fisioterapia contínua para ganho de força muscular e equilíbrio.

O documento encerra confirmando que, com essas medidas paliativas e o devido acompanhamento multiprofissional, a execução penal pode seguir no local atual, garantindo a segurança e o bem-estar do ex-presidente dentro das condições estabelecidas pela perícia da Polícia Federal.

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