Filho de Prefeita Paga R$ 50 Mil e Evita Processo Criminal por Morte de Zelador Atropelado em João Pessoa

Arthur José Rodrigues de Farias, filho da prefeita de Pilar, Patrícia Farias, efetuou o pagamento de R$ 50 mil para a mãe do zelador Maurílio Silva de Araújo, morto após ser atropelado enquanto trabalhava. Com o depósito, o estudante está livre de responder criminalmente pela morte da vítima, conforme Acordo de Não Persecução Penal homologado pela Justiça.

O jovem, que dirigia o carro da mãe ao retornar de uma formatura de medicina no dia do acidente, foi preso em flagrante com sinais de embriaguez. Após o atropelamento, ele pagou uma fiança de R$ 15 mil e foi liberado.

O acordo, sugerido pela defesa de Arthur e aceito pela Justiça e pelo Ministério Público da Paraíba, foi homologado em 4 de março pela juíza Conceição de Lourdes Marsicano. Além da indenização à família do zelador, o estudante também deve destinar dois salários mínimos à Casa da Criança com Câncer, o que já foi cumprido.

A família do zelador, no entanto, expressou profunda indignação com a decisão. Em contato com a reportagem, uma sobrinha de Maurílio, que pediu para não ter o nome revelado, questionou a validade do acordo e a justiça da penalidade.

Família do Zelador Critica Decisão Judicial

“Pelo amor de Deus, isso não existe. É muito injusto. R$ 50 mil não vai comprar a vida dele”, declarou a sobrinha, ressaltando que o vídeo do atropelamento comprova a culpa de Arthur. Ela questiona a atuação do Ministério Público e aponta a disparidade social como fator determinante para a decisão.

“Porque o rapaz tem dinheiro e meu tio é pobre. Se fosse ao contrário, meu tio já estava atrás das grades”, criticou. A familiar também considera a oferta imoral, diante do valor que a mãe de Arthur paga mensalmente em cursos de medicina.

Acidente e Acordo de Não Persecução Penal

O atropelamento foi registrado por câmeras de segurança, mostrando o carro atingindo o zelador na calçada. Arthur confessou à polícia ter bebido e estava voltando de uma formatura. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro e foi autuado em flagrante.

A defesa de Arthur argumentou que ele preenchia os requisitos legais para o acordo, apresentando um laudo médico que indica diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). A Justiça e o Ministério Público acataram o pedido.

Atualmente, Arthur Farias tem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por seis meses, o que o impede de dirigir. A decisão, que livra o filho da prefeita de Pilar do processo criminal, gerou forte revolta entre familiares e amigos da vítima, que clamam por justiça.

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