A jornada de Nonato Guedes: do rádio de Cajazeiras ao cenário político da Paraíba, uma decisão que marcou o jornalismo
Em 1974, em um momento crucial de sua carreira, o jovem Nonato Guedes, com apenas 20 anos, recebeu uma proposta inesperada que definiria o rumo de sua vida e do jornalismo político paraibano.
A oferta surgiu em um almoço com Aloísio Moura, diretor do Correio da Paraíba, que propôs um acordo: a retirada de um processo trabalhista movido por Guedes contra o jornal em troca de um emprego na redação e na rádio do grupo, em João Pessoa.
Essa decisão, tomada em um cenário de “pegar ou largar”, marcou o início de uma trajetória de 48 anos de dedicação, talento e postura editorial exemplar, conforme informações divulgadas na mídia.
O início precoce e a ousadia de um jovem profissional
Nonato Guedes já era um nome conhecido na radiofonia de Cajazeiras desde a infância. Começou como office boy na rádio Difusora, aos nove anos, e logo se destacou no microfone e na redação. Sua carreira deu um salto quando migrou para a rádio Alto Piranhas, da Diocese local.
Aos 20 anos, a oportunidade de trabalhar em João Pessoa surgiu em um contexto delicado. Havia movido uma ação trabalhista contra o Correio da Paraíba por ter sido demitido da sucursal de Cajazeiras sem indenização. A proposta de Moura era clara: um acordo que evitaria o processo em troca de uma nova oportunidade profissional.
Apesar da juventude e dos riscos envolvidos, Nonato Guedes aceitou o desafio. Sua resposta imediata, sem consultar familiares, demonstrou a confiança em seu próprio potencial e a vontade de arriscar em busca de um futuro promissor no jornalismo.
A chegada à capital e a primeira grande reportagem
Ao chegar a João Pessoa, Nonato Guedes fixou residência em uma pensão e, em seu primeiro dia de trabalho, recebeu uma pauta que testaria seus limites: entrevistar dom José Maria Pires, o então Arcebispo da Igreja Católica. Sem saber como chegar à autoridade religiosa, um encontro fortuito com o deputado estadual Bosco Barreto mudou tudo.
Barreto, solidário ao conterrâneo, o levou até a sala do bispo. A entrevista, realizada a papel e lápis, sem o auxílio de gravadores, resultou em uma reportagem que estampou a capa do jornal. No dia seguinte, o próprio dom José Maria Pires ligou para a redação, parabenizando Nonato Guedes pela fidelidade e precisão de suas palavras.
Uma carreira brilhante forjada na determinação e talento
A estreia triunfal na capital paraibana foi apenas o começo de uma carreira notável. Nonato Guedes, lapidado por sua inteligência, dignidade pessoal e postura editorial, consolidou-se como um jornalista de destaque.
A decisão tomada em 1974, de aceitar a proposta de Aloísio Moura, não apenas mudou sua vida, mas também enriqueceu o jornalismo político da Paraíba. Sua contribuição, marcada por inteligência e talento diferenciados, tem inspirado jornalistas por 48 anos, moldando a crônica política do estado.
O menino prodígio, que começou no rádio aos 10 anos, hoje celebra 68 anos, sendo um exemplo de profissionalismo e dedicação, admirado por colegas, leitores e por aqueles que acompanham seu legado no jornalismo paraibano.

