
Dólar retoma nível pré-conflito no Oriente Médio e Bolsa de Valores brasileira sobe com esperanças de acordo entre EUA e Irã
O mercado financeiro global e brasileiro respirou aliviado nesta quarta-feira (1º), com o dólar comercial fechando em queda de 0,43%, a R$ 5,157. A moeda americana retornou a patamares vistos antes da escalada militar no Oriente Médio, refletindo um maior apetite ao risco por parte dos investidores internacionais.
O movimento de valorização do real foi impulsionado por declarações que sugerem um possível avanço para um acordo entre Estados Unidos e Irã, o que diminuiria as preocupações com a oferta de energia, pressões inflacionárias e a estabilidade dos fluxos financeiros globais. O índice que mede o dólar frente a outras moedas fortes também operou em baixa no exterior.
A Bolsa de Valores brasileira, por sua vez, acompanhou o otimismo com uma leve alta. O Ibovespa encerrou o dia aos 187.953 pontos, um ganho de 0,26%. A alta foi impulsionada principalmente por setores sensíveis à economia doméstica e à expectativa de novos cortes na taxa Selic. Conforme informações divulgadas, o dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,157, com queda de R$ 0,022 (-0,43%), e a cotação está em níveis semelhantes aos da última semana de fevereiro, antes da escalada militar no Oriente Médio.
Mercado reage a declarações de Trump e possível cessar-fogo
As expectativas de um fim para o conflito se intensificaram após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que indicou a possibilidade de um encerramento rápido da guerra com o Irã, admitindo apenas “ataques pontuais” se necessário. Essas falas alimentaram a esperança de um cessar-fogo, embora o governo iraniano tenha negado oficialmente qualquer solicitação nesse sentido.
No cenário internacional, a moeda americana também apresentou desvalorização. O índice DXY, que compara o dólar a seis moedas fortes, recuou, refletindo ganhos de moedas emergentes, como o real brasileiro, o peso chileno e o peso mexicano. Este cenário contribui para um ambiente mais favorável aos ativos de risco.
Bolsa brasileira se beneficia de cenário mais calmo e juros em queda
O mercado de ações brasileiro mostrou moderação, mas reagiu positivamente aos sinais de desescalada. A alta do Ibovespa foi puxada principalmente por ações do setor financeiro e por empresas mais ligadas à atividade doméstica. A percepção de um ambiente externo menos turbulento reforça a expectativa de que a Taxa Selic, os juros básicos da economia, possa ter novos cortes.
A valorização desses setores indica uma confiança renovada na economia brasileira em um contexto de menor incerteza global. A possibilidade de juros mais baixos torna investimentos em renda variável mais atrativos para os investidores, em detrimento da renda fixa.
Petróleo em queda com aposta em solução diplomática
O preço do petróleo, que vinha sendo pressionado pela tensão no Oriente Médio, também fechou em queda pelo segundo dia consecutivo. A aposta em uma solução diplomática para o conflito reduziu os riscos de interrupção no fornecimento, especialmente na estratégica região do Estreito de Ormuz.
O contrato do WTI para maio cedeu 1,24%, terminando a US$ 100,12 o barril, enquanto o Brent para junho, referência para o mercado brasileiro, caiu 2,70%, para US$ 101,16. Durante o pregão, o Brent chegou a ser negociado abaixo dos US$ 100, demonstrando a sensibilidade do mercado às notícias diplomáticas.
Preços do petróleo ainda sensíveis a desdobramentos políticos
Apesar do alívio recente, os preços do petróleo permanecem em patamares elevados e continuam sensíveis a novos desdobramentos políticos e militares na região. Dados de estoques nos Estados Unidos ajudaram a conter perdas mais acentuadas, mas o mercado segue atento a pronunciamentos de autoridades e a qualquer sinal concreto sobre a normalização das rotas de transporte no Oriente Médio.
A volatilidade nos preços do petróleo destaca a importância da estabilidade geopolítica para a economia global. Qualquer sinal de agravamento da crise pode rapidamente reverter a tendência de queda observada nos últimos dias, impactando a inflação e o crescimento econômico mundial.



