Petrobras mira autossuficiência em diesel em 5 anos com plano ambicioso para produção nacional

Petrobras estuda plano para o Brasil se tornar autossuficiente em diesel em até cinco anos, buscando reduzir importações e fortalecer a economia nacional.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou que a empresa está analisando a possibilidade de tornar o Brasil autossuficiente na produção de óleo diesel em um prazo de cinco anos. A iniciativa visa reduzir a dependência do país na importação deste combustível, essencial para setores como transporte de cargas, ônibus e o agronegócio.

Atualmente, o Brasil importa aproximadamente 30% do diesel que consome, uma vulnerabilidade que a Petrobras pretende sanar. A meta, que antes previa atingir 80% da demanda com uma expansão de 300 mil barris diários, agora é revisada para alcançar 100% em cinco anos.

“Estamos revendo esse plano e nos perguntando se podemos chegar a 100% em cinco anos”, afirmou Chambriard durante um evento em São Paulo. Ela completou, com otimismo: “Muito provavelmente, porque a Petrobras adora desafios, quem sabe a gente chega com a possibilidade de ter um novo plano de negócios capaz de entregar a autossuficiência do Brasil em diesel”. O novo plano de negócios da companhia será discutido a partir de maio.

Expansão em refinarias é chave para autossuficiência em diesel

A Petrobras planeja aumentar a produção de diesel por meio de ações já em andamento e investimentos estratégicos em suas refinarias. A Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, terá sua capacidade expandida de 230 mil para 300 mil barris diários de diesel.

Outro ponto crucial é o aumento da produção na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, que, junto ao Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj), saltará de 240 mil para cerca de 350 mil barris por dia. A busca por mais produção de diesel está sendo priorizada em todas as refinarias da empresa.

Adaptações nas plantas para priorizar diesel

Nas quatro refinarias localizadas em São Paulo, estão sendo realizadas adaptações para reduzir a produção de óleo combustível, utilizado em fornos e caldeiras, e dar prioridade à entrega de diesel. A presidente da Petrobras destacou a importância estratégica do diesel, afirmando que “Diesel é o combustível mote do desenvolvimento nacional”.

O aumento na produção de diesel também impacta positivamente a produção de gasolina, outro produto fundamental da Petrobras. Essa sinergia reforça a importância da meta de autossuficiência em diesel para a economia brasileira.

Impacto da guerra no Irã e medidas de controle de preço

O conflito no Oriente Médio, especialmente no Irã, tem gerado instabilidade no mercado global de petróleo, elevando os preços do diesel. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o preço do diesel S10 subiu cerca de 23% no Brasil, segundo a ANP. Para conter a escalada, o governo zerou alíquotas de PIS e Cofins e estuda subsídios adicionais.

A instabilidade global é agravada pelo fato de a região do conflito concentrar importantes países produtores de petróleo e rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial. O preço do barril Brent, referência internacional, ultrapassou os US$ 101, um aumento considerável em relação aos cerca de US$ 70 antes da guerra.

Autossuficiência em diesel: um passo para a soberania energética

A busca pela autossuficiência em diesel pela Petrobras representa um avanço significativo para a soberania energética do Brasil. Reduzir a dependência de importações significa maior controle sobre os preços internos, menor exposição a choques externos e um impulso para a indústria nacional.

Com investimentos em refinarias e adaptações estratégicas, a Petrobras demonstra seu compromisso em atender à demanda interna e fortalecer a posição do Brasil no cenário energético global. A meta de cinco anos para a autossuficiência em diesel é ambiciosa, mas alinhada à necessidade de um país com vocação para o desenvolvimento.

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