Enxurrada de água escura e com mau cheiro desaguando em praia na Grande João Pessoa.

Enxurrada de Água Escura e com Mau Cheiro Invade Praia na Grande João Pessoa e Levanta Alerta Ambiental e Judicial

Praias da Grande João Pessoa registram chegada de água escura e com mau cheiro. Justiça exige plano de ação de órgãos públicos para conter despejo de esgoto.

Manhã de domingo registra desague de água escura e com forte mau cheiro em praia entre João Pessoa e Cabedelo

Uma correnteza intensa de água com coloração escura e odor desagradável foi observada desaguando na orla localizada entre os bairros do Bessa, em João Pessoa, e Intermares, em Cabedelo, na manhã de domingo (19). A cena foi capturada por uma equipe de reportagem que registrou a diferença marcante entre a água do mar e o líquido proveniente de um rio próximo que desemboca diretamente no oceano.

Em resposta ao ocorrido, a Companhia de Água e Esgotos do estado (Cagepa) informou que não possui qualquer interligação que possa resultar em extravasamento de esgoto para a praia ou para galerias pluviais. A companhia afirmou que realiza monitoramento constante de suas estações elevatórias, tanto por equipes presenciais quanto por sistemas remotos. Diante da ausência de problemas em sua rede, a Cagepa declarou que não há providências que precisem ser tomadas pelo órgão.

A situação ganhou contornos judiciais após uma Ação Civil Pública movida por uma entidade ambiental, que denuncia um quadro de “degradação nas praias de João Pessoa”, afetando trechos como Cabo Branco, Tambaú, Manaíra e Bessa. A ação aponta falhas estruturais no sistema de esgotamento sanitário, tratamento de resíduos insuficiente e omissão na fiscalização por parte da Prefeitura de João Pessoa, da Cagepa e da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema).

A decisão judicial considerou o risco iminente de contaminação. O magistrado destacou que a exposição de banhistas a águas contaminadas pode gerar doenças, além de prejudicar o ecossistema marinho e a qualidade ambiental das praias. Para mitigar esses riscos, foi determinado que a Prefeitura de João Pessoa, a Cagepa, a Sudema e o Estado da Paraíba apresentem, em até 30 dias, um plano de ação destinado a interromper o lançamento de esgoto não tratado na orla.

Adicionalmente, a determinação judicial exige um monitoramento mais rigoroso da qualidade da água, com coletas de amostras no exato momento em que os efluentes atingem o mar. A análise da qualidade da areia das praias também deverá ser incluída nos relatórios oficiais.

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