Precatórios Disparam Dívidas da União e Causam o Maior Déficit Primário de Março da História

Precatórios causam rombo histórico nas contas públicas em março, com déficit primário atingindo R$ 73,783 bilhões

O governo central fechou o mês de março com um **déficit primário de R$ 73,783 bilhões**, o pior resultado já registrado para o mês desde o início da série histórica em 1997. O valor representa uma deterioração significativa em comparação com o superávit de R$ 1,527 bilhão obtido em março do ano anterior.

Segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional, a principal causa para esse resultado expressivo foi a **concentração do pagamento de precatórios em março deste ano**. Essas dívidas da União, resultantes de sentenças judiciais definitivas, foram antecipadas, pressionando fortemente as contas públicas.

O déficit primário ocorre quando as receitas arrecadadas pelo governo, como impostos e tributos, são inferiores às suas despesas, excluindo os juros da dívida pública. Em março, essa diferença foi acentuada pela alta nos gastos totais.

Despesas disparam com pagamentos judiciais e previdenciários

As **despesas totais do governo em março somaram R$ 269,881 bilhões**, um aumento de 49,2% acima da inflação em relação ao mesmo período do ano passado. Este crescimento foi impulsionado principalmente pelos gastos com decisões judiciais, incluindo os precatórios, que totalizaram R$ 34,903 bilhões em custeio e investimento.

Outras áreas que registraram aumentos expressivos de gastos foram os **benefícios previdenciários**, com R$ 28,615 bilhões, dos quais R$ 23,982 bilhões foram destinados a precatórios. As despesas com pessoal e encargos sociais também subiram, atingindo R$ 11,258 bilhões, com R$ 8,786 bilhões ligados a precatórios, conforme informou o Tesouro Nacional.

Arrecadação cresce, mas não compensa alta nos gastos

Apesar do cenário de déficit, a **arrecadação líquida do governo apresentou um crescimento de 7,5% acima da inflação**, alcançando R$ 196,1 bilhões em março. Esse aumento foi impulsionado pelo bom desempenho da economia e por medidas tributárias recentes.

Entre os destaques da arrecadação estão o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com R$ 2,8 bilhões, o Imposto de Importação e o Imposto de Renda, ambos com R$ 2,3 bilhões. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e a Cofins também contribuíram positivamente.

Primeiro trimestre acumula déficit e investimentos avançam

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, as contas públicas registraram um **déficit primário de R$ 17,085 bilhões**, revertendo o superávit de R$ 54,993 bilhões visto no mesmo período de 2025. A antecipação de precatórios também impactou esse resultado acumulado.

Em contrapartida, os **investimentos federais tiveram um crescimento expressivo em março**, totalizando R$ 14,8 bilhões, um aumento de 323,9% acima da inflação. No acumulado do ano, os investimentos somam R$ 24,4 bilhões, refletindo a aceleração de projetos públicos.

Meta fiscal para 2026 sob pressão

A meta fiscal para 2026 prevê um superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões. Contudo, regras que permitem excluir despesas, como precatórios, do cálculo podem mascarar a real situação fiscal. Mesmo com esses abatimentos, a previsão oficial do governo aponta para um **déficit efetivo de R$ 59,8 bilhões em 2026**, indicando mais um ano de contas no vermelho.

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