
Juízes e promotores eleitorais de todo o estado recebem treinamento focado em crimes cibernéticos, IA e combate à desinformação visando as próximas eleições gerais.
O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), em colaboração com as Procuradorias Regional Eleitoral (PRE) e Geral de Justiça (PGJ), realizou nesta quinta-feira (30) um evento de capacitação inédito em João Pessoa. A iniciativa, batizada de “Capacitação Eleitoral 2026 – Atuação Prática e Combate à Desinformação”, buscou preparar magistrados e membros do Ministério Público para os desafios iminentes das Eleições Gerais de 2026.
O encontro, sediado no auditório do Ministério Público da Paraíba, abordou temas cruciais como análise de crimes eleitorais, inovações tecnológicas e estratégias de enfrentamento à desinformação. O procurador regional eleitoral, Marcos Queiroga, que abriu o evento, enfatizou a importância da formação para a atuação em primeiro grau de jurisdição.
“As eleições gerais se concentram no TRE, mas o primeiro grau possui um papel muito importante na fiscalização e no exercício do poder de polícia. Essa capacitação visa justamente trazer informações e trabalhar com os atores temas relevantes da Justiça Eleitoral, como desinformação, uso de inteligência artificial e a atuação de facções infiltradas no poder público”, destacou Marcos Queiroga.
O diretor da Escola Judiciária Eleitoral da Paraíba (EJE-PB), desembargador eleitoral Kéops Vasconcelos, classificou o evento como o pontapé inicial dos trabalhos preparatórios para as eleições de 2026, que se configura como um pleito desafiador.
“É uma eleição muito desafiadora, com temas importantes sendo tratados aqui, relevantes tanto para o Ministério Público quanto para a magistratura eleitoral, e que servirão de norte para toda a atuação”, afirmou Kéops Vasconcelos.
A desembargadora eleitoral Helena Fialho ressaltou que o cenário eleitoral de 2026 apresentará novas complexidades, especialmente com o avanço da inteligência artificial e as constantes mudanças na propaganda eleitoral.
“É muito diferente de tempos atrás. Esses novos desafios nos instigam a nos reunir, debater e uniformizar procedimentos, condutas e protocolos para combater propaganda extemporânea, irregular e diferentes tipos de fraude”, pontuou Helena Fialho.
Em consonância, o desembargador eleitoral Rodrigo Clementes mencionou a recente aprovação de uma resolução pelo TRE-PB sobre o exercício do poder de polícia nas eleições.
“A proposta é capacitar juízes e promotores para uma atuação uniforme, evitando questionamentos sobre abuso de autoridade e garantindo que tudo ocorra dentro da mais estrita legalidade”, disse Rodrigo Clementes.
O procurador-geral de Justiça, Leonardo Quintans, reforçou a relevância do encontro, descrevendo o ano de 2026 como particularmente desafiador para o sistema de Justiça Eleitoral.
“Não é apenas um momento de compartilhamento de conhecimento, mas de alinhamento de pensamentos e ações”, afirmou Leonardo Quintans.
Quintans detalhou que o trabalho do Ministério Público tem se tornado mais complexo devido às transformações sociais e tecnológicas, exigindo uma fiscalização que transcende os ambientes físicos e alcança o meio digital.
“As eleições mudaram, o mundo mudou. A fiscalização não ocorre apenas nos ambientes físicos, mas também no ambiente digital. Isso exige diálogo e constante atualização para garantir um pleito legítimo, livre de abusos de poder econômico, político e da criminalidade organizada, assegurando ao cidadão o direito de votar de forma livre e consciente”, concluiu Leonardo Quintans.






