
Chuvas torrenciais em João Pessoa derrubam 70% da média histórica de maio em dois dias com impactos severos
A capital paraibana, João Pessoa, foi atingida por um volume de chuvas expressivo em um curto período. Em apenas 48 horas, entre sexta-feira (1º) e sábado (2), a cidade acumulou 196 milímetros de precipitação, o que representa 69,5% da média histórica para o mês de maio, que é de 282 milímetros. Os dados são da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec-JP) e foram divulgados pela prefeitura.
As precipitações intensas geraram uma série de transtornos significativos na cidade. Conforme um boletim emitido pela Defesa Civil de João Pessoa neste sábado (2), foram registradas interdições totais em sete imóveis e uma parcial, com duas pessoas sendo acolhidas por familiares. Além disso, ocorreram dois pequenos deslizamentos de barreiras nos bairros São José e Cruz das Armas, sem registro de feridos.
A comunidade Engenho Velho foi particularmente afetada, com 16 famílias, totalizando 46 pessoas, sendo encaminhadas para um abrigo temporário no Ginásio Ivan Cantisani, no bairro Tambiá. Uma idosa e seu neto foram encaminhados para abrigamento institucional. Os rios Jaguaribe, na comunidade São Rafael, e Gramame, no Engenho Velho, transbordaram, porém sem relatos de vítimas.
Impacto estadual e medidas de apoio
O cenário de chuvas intensas não se restringiu a João Pessoa. Em todo o estado da Paraíba, mais de 16 mil pessoas foram afetadas desde 1º de maio, de acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). O estado já contabiliza duas mortes por choque elétrico no interior, e ao menos oito municípios decretaram situação de emergência devido aos danos causados pelas fortes chuvas.
Técnicos da Defesa Civil Nacional chegaram à Paraíba no domingo (3) para oferecer suporte aos municípios atingidos. A missão dos técnicos inclui orientar as prefeituras sobre o reconhecimento federal de situação de emergência e a solicitação de recursos para assistência humanitária, restabelecimento e reconstrução de áreas afetadas.
A situação levou o Ministério Público da Paraíba (MPPB) a instituir um gabinete de crise. A iniciativa, anunciada pelo procurador-geral de Justiça, Leonardo Quintans, visa coordenar ações institucionais para o enfrentamento de desastres ambientais, focando nos impactos severos das chuvas sobre a população, infraestrutura urbana e ecossistemas locais.
A Prefeitura de João Pessoa ativou quatro pontos de arrecadação para doações de roupas e colchões, buscando auxiliar as famílias desabrigadas. Os locais incluem o Centro de Cooperação da Cidade no Altiplano, o Centro Cultural Tenente Lucena em Mangabeira, e os shoppings Mangabeira e Manaíra, funcionando das 8h às 17h.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que, entre os afetados no estado, há 514 pessoas desalojadas e 624 desabrigadas. Bayeux é a cidade com o maior número de atingidos, com aproximadamente 12 mil pessoas. Rio Tinto e Mamanguape também registram milhares de afetados, seguidas por Sapé, Ingá, Cabedelo e Guarabira.





