
TCU autoriza retorno de empréstimos consignados do INSS, mas mantém suspensão de cartões de crédito
Uma decisão importante do Tribunal de Contas da União (TCU) trouxe alívio para muitos aposentados e pensionistas do INSS. O ministro Marcos Bemquerer Costa autorizou a retomada da oferta de novos empréstimos pessoais consignados, atendendo a um recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU).
A medida, que tem efeito imediato, visa facilitar o acesso ao crédito para os segurados, que foram impactados pela suspensão anterior. No entanto, é crucial notar que as modalidades de cartão de crédito consignado e cartão consignado de benefício seguem suspensas por determinação do tribunal.
O governo federal argumentou que a interrupção dos empréstimos pessoais poderia gerar graves consequências econômicas e sociais, dificultando o acesso ao crédito e empurrando os segurados para linhas mais caras, aumentando o risco de endividamento. A decisão do TCU, conforme informações divulgadas, considera os avanços na implementação de mecanismos de segurança no sistema de operações de crédito consignado.
Empréstimos Pessoais Consignados: Uma Nova Esperança para Segurados
A liberação dos empréstimos pessoais consignados é vista como um passo significativo para garantir que os beneficiários do INSS possam ter acesso a recursos financeiros de forma mais segura e acessível. O ministro Marcos Bemquerer Costa, em sua decisão, destacou que novas informações sobre a evolução dos mecanismos de segurança justificaram a suspensão da medida cautelar que havia paralisado essas operações.
Ele afirmou que o estágio avançado na implementação das demandas de segurança para os empréstimos pessoais consignados foi um fator determinante para reverter a suspensão. Essa decisão atende a um pedido da AGU, que buscou evitar os impactos negativos da paralisação no acesso ao crédito.
O impacto dessa decisão no mercado é considerável, visto que o setor de crédito consignado movimenta cerca de R$ 100 bilhões e atende milhões de aposentados e pensionistas. A expectativa é que a retomada das operações pessoais traga de volta a tranquilidade financeira para muitos que dependem desses recursos.
Cartões Consignados Permanecem Sob Análise do TCU
Apesar da boa notícia sobre os empréstimos pessoais, o TCU optou por manter a suspensão de novas concessões nas modalidades de cartão de crédito consignado e cartão consignado de benefício. Essas modalidades são consideradas mais sensíveis pelo tribunal, devido ao número elevado de indícios de irregularidades identificados em auditorias anteriores.
A suspensão desses produtos continuará em vigor até que o plenário do TCU finalize o julgamento definitivo do caso. A preocupação do tribunal reside no grande número de relatos de problemas com esses cartões, incluindo contratações não reconhecidas e ausência de recebimento dos valores de saque.
Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram que uma parcela significativa dos entrevistados não reconhecia a contratação do cartão, não o havia solicitado, ou não recebeu os valores referentes ao saque. Além disso, a falta de recebimento de faturas também foi um dado alarmante.
Entenda o Caso e os Riscos Identificados
A suspensão inicial dos empréstimos consignados do INSS, determinada em 29 de abril, ocorreu após o TCU identificar falhas de segurança no sistema “eConsignado”. Havia um risco real de danos financeiros tanto para os aposentados quanto para os cofres públicos, devido a práticas como contratos sem autorização, empréstimos em nome de falecidos, fraudes de identidade, falhas biométricas, desvio de recursos, ausência de documentação e cobranças abusivas.
Essas falhas, identificadas em auditorias, expõem os beneficiários a golpes financeiros e aumentam o risco de endividamento irregular. O TCU busca, com essas medidas, garantir a segurança e a integridade do sistema de crédito consignado, protegendo os segurados de práticas abusivas.
Mudanças Futuras e o Fim Gradual dos Cartões Consignados
Paralelamente à decisão do TCU, o governo federal também anunciou mudanças permanentes no crédito consignado do INSS. Uma medida provisória referente à nova versão do Desenrola Brasil prevê o fim gradual do cartão consignado. A modalidade deverá começar a ser reduzida em 2027, com o limite de comprometimento de renda caindo progressivamente, até deixar de existir em 2029.
Além disso, o empréstimo consignado tradicional também sofrerá alterações. O prazo máximo de pagamento será ampliado de oito para nove anos, e o limite total de comprometimento de renda cairá de 45% para 40%, com projeção de redução gradual até 30%. As entidades financeiras, como ABBC e Febraban, saudaram a revogação parcial da medida cautelar, reconhecendo a importância da linha de crédito para a população vulnerável.





