Mãos tentando montar um quebra-cabeça com mapas de estados brasileiros, simbolizando a complexidade das eleições de 2026 para governadores.

Oito estados enfrentam um futuro político incerto para 2026: pesquisa exclusiva revela o delicado equilíbrio de poder entre governadores e seus potenciais sucessores

Pesquisa Genial/Quaest aponta cenários desafiadores para oito governadores em 2026. São Paulo e Goiás despontam como exceções em um tabuleiro político volátil.

Avaliação eleitoral de 2026 expõe fragilidades regionais e a complexa dinâmica da sucessão em oito importantes executivos estaduais

Uma nova análise da pesquisa Genial/Quaest, divulgada recentemente, revela um panorama complexo para as eleições de 2026. Ao menos oito dos dez estados avaliados apresentaram resultados desafiadores para a continuidade das atuais administrações, sejam elas por reeleição ou pela eleição de sucessores. Este cenário de incerteza abrange importantes colégios eleitorais como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pará e Ceará, segundo o levantamento da Genial/Quaest.

Em contraste, duas unidades federativas demonstram maior estabilidade. São Paulo registra uma liderança confortável para Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto em Goiás, Daniel Vilela (MDB), vice do ex-governador Ronaldo Caiado, mantém-se à frente em todos os cenários projetados.

Especialistas ouvidos pelo GLOBO ponderam que, embora lideranças menos conhecidas ligadas a governadores possam ganhar projeção durante a campanha, a transferência automática de apoio eleitoral tem demonstrado perda de força em pleitos recentes. Murilo Medeiros, cientista político da UnB, aponta que candidatos governistas tipicamente crescem com a estrutura da máquina e alianças. Contudo, Medeiros ressalta:

Transformar o apoio do governo em ativo eleitoral não é garantido. Temos hoje um eleitorado muito mais volátil e menos fiel a padrinhos políticos. O voto está mais individualizado.

Minas Gerais ilustra esta dificuldade. Com Romeu Zema (Novo) deixando o Palácio da Liberdade para uma possível disputa presidencial, o atual governador Mateus Simões (PSD) busca consolidar sua visibilidade. A pesquisa posiciona Simões numericamente na quarta colocação, com 4% das intenções de voto. A liderança pertence ao senador Cleitinho (Republicanos), que ainda não confirmou sua candidatura, seguido por Alexandre Kalil (PDT), Rodrigo Pacheco (PSB) e Ben Mendes (Missão), este último em empate técnico com Simões.

No Paraná, o governador Ratinho Junior (PSD) optou por concluir seu mandato, abdicando de uma possível candidatura presidencial para apoiar um sucessor. Sandro Alex, seu correligionário e ex-secretário de Infraestrutura, aparece em quarta posição, oscilando entre 5% e 6% das intenções. O senador Sergio Moro (PL) lidera, à frente do deputado estadual Requião Filho (PDT) e do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB).

Situação semelhante é verificada no Rio Grande do Sul, onde Eduardo Leite (PSD) apoia seu vice, Gabriel Souza (MDB). Souza registra apenas 6% das intenções de voto no primeiro turno. A ex-deputada Juliana Brizola (PDT) lidera com 24%, seguida pelo deputado federal Luciano Zucco (PL). Medeiros, da UnB, observa que casos como Ratinho Junior e Eduardo Leite, mesmo à frente dos governos, ainda não conseguiram impulsionar seus sucessores, indicando que “herdam a máquina, mas não necessariamente o capital político dos governadores”.

No Rio de Janeiro, a sucessão do ex-governador Cláudio Castro (PL) mostra o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) como favorito, em meio à interinidade de Ricardo Couto na governadoria. O presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), indicado para a disputa, pontua entre 9% e 11% no primeiro turno, enquanto Paes varia de 34% a 40%. Em um eventual segundo turno, Paes alcançaria 49% contra 16% de Ruas.

O Pará apresenta um cenário mais dividido. Dr. Daniel Santos (Podemos), ex-prefeito de Ananindeua, registra entre 22% e 24% das intenções. A governadora Hana Ghassan (MDB), que assumiu após Helder Barbalho deixar o posto, aparece em empate técnico, com 19% a 22%. Santos mantém uma vantagem numérica em um segundo turno simulado, com 34% contra 29%.

Desafios no nordeste para a reeleição

No Nordeste, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), enfrenta um desafio para a reeleição, ficando atrás de João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife. Campos, aliado do presidente Lula, aparece com 42% das intenções no primeiro turno, enquanto Lyra atinge 34%. O cenário de segundo turno reforça a liderança de Campos, com 46% contra 38% de Lyra.

Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) está numericamente atrás do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), com 37% contra 41% no primeiro turno, dentro da margem de erro. Em simulação de segundo turno, ACM Neto mantém 41% das intenções, enquanto o petista soma 38%.

Situação similar se repete no Ceará, onde a oposição possui vantagem sobre o governador Elmano de Freitas (PT). Freitas registra 32% no primeiro turno, contra 41% do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que também lidera em um segundo turno potencial, com 46% contra 35%.

O cientista político Antônio Lavareda avalia que os resultados desfavoráveis para os atuais governadores ou seus aliados se devem ao “currículo político” dos oponentes. Ele opina:

Historicamente, ex-prefeitos de capitais fazem parte de uma categoria que costuma eleger um bom número de governadores. Isso traz impacto na disputa de Pernambuco e Bahia. Já no caso do Ceará, o governador aparece atrás de um candidato que já foi prefeito de Fortaleza, governador e ministro. Um nome com prestígio consolidado no estado.

Em contraponto aos desafios observados, Tarcísio de Freitas em São Paulo e Daniel Vilela em Goiás demonstram solidez em suas bases eleitorais. Freitas alcança entre 38% e 40% das intenções no primeiro turno, superando Fernando Haddad (PT), que marca de 26% a 28%. A vantagem se amplia no segundo turno, com 49% para Freitas contra 32% de Haddad. Em Goiás, Vilela obtém entre 33% e 34%, à frente do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) com 21%, e mantém uma vantagem de 46% contra 27% em um embate direto de segundo turno.

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