
Dólar se segura e Bolsa sente o baque: Tensão no Oriente Médio dita cautela nos mercados nesta segunda-feira
O mercado financeiro brasileiro operou sob forte influência das tensões geopolíticas no Oriente Médio nesta segunda-feira (11). O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, registrou uma queda expressiva de 1,19%, fechando aos 181.908 pontos, o menor patamar desde 27 de março. Paralelamente, o dólar à vista demonstrou resiliência, encerrando o dia cotado a R$ 4,891, com uma leve baixa de 0,10%, mantendo-se abaixo da marca psicológica de R$ 4,90.
A cautela dos investidores foi palpável, impulsionada pelo agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. O avanço dos preços do petróleo no mercado internacional, reflexo direto desse impasse diplomático, adicionou pressão sobre as ações brasileiras, especialmente aquelas sensíveis às taxas de juros. O temor de que a alta do petróleo possa dificultar futuros cortes na taxa Selic pesou sobre o desempenho da bolsa.
A temporada de divulgação de balanços corporativos também esteve no radar, mas nem mesmo resultados considerados robustos foram suficientes para evitar perdas em papéis de grandes empresas. Analistas apontam a continuidade da saída de recursos estrangeiros da bolsa brasileira como um fator de preocupação, especialmente nos primeiros pregões de maio. Conforme informação divulgada pelo g1, a piora nas perspectivas inflacionárias, a continuidade da guerra no Oriente Médio e a possibilidade de manutenção de juros elevados nos Estados Unidos contribuíram para o movimento de aversão ao risco.
Petróleo em Alta e Inflação no Radar
O barril do Brent, referência para a Petrobras, avançou 2,88% no mercado internacional, fechando cotado a US$ 104,21. O WTI, do Texas, subiu 2,78%, alcançando US$ 98,07. Essa valorização do petróleo intensificou a percepção de pressão inflacionária global, gerando dúvidas sobre o ritmo de cortes de juros em diversas economias, incluindo a brasileira.
Dólar Resiste, Mas Cautela Persiste
Apesar da estabilidade no mercado doméstico, o dólar sustentou ganhos frente a outras divisas emergentes no exterior. A rejeição dos Estados Unidos à proposta iraniana para encerrar a guerra no Oriente Médio impulsionou a moeda americana. Durante a sessão, o câmbio oscilou em uma faixa estreita, atingindo uma máxima de R$ 4,9059 e uma mínima de R$ 4,8858 antes de retornar à proximidade da estabilidade.
A reação moderada do mercado brasileiro à volatilidade externa foi atribuída ao diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, que continua a favorecer a entrada de capital estrangeiro. O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central, reduziu a projeção para o dólar no fim do ano, de R$ 5,25 para R$ 5,20, indicando um certo otimismo com a trajetória da moeda no médio prazo.
Incertezas Geopolíticas e Liquidez Reduzida
A baixa liquidez do pregão e a ausência de apostas mais fortes por parte dos investidores foram destacadas como fatores que contribuíram para o cenário de incerteza. A escalada das tensões internacionais, com o presidente dos EUA, Donald Trump, classificando a proposta iraniana como “totalmente inaceitável” e o cessar-fogo como “respirando por aparelhos”, aumentou as preocupações com possíveis impactos sobre a economia mundial.
Analistas ressaltam que a persistência do conflito no Oriente Médio e a possibilidade de novas escaladas podem manter o mercado em estado de alerta nas próximas semanas. A busca por ativos de menor risco e a cautela nas decisões de investimento devem prevalecer enquanto o cenário geopolítico não apresentar sinais claros de arrefecimento.


