Diesel Cai Pela 4ª Vez, Mas Preço Ainda Assusta: Entenda Por Que o Combustível Continua Caro no Brasil Pós-Guerra

Diesel tem queda, mas alívio é parcial e preço segue elevado; entenda o impacto da guerra e as ações do governo

O preço do óleo diesel no Brasil registrou a quarta queda em cinco semanas, acumulando um recuo de 4,5% no período. Apesar dessa tendência de baixa, o combustível, essencial para o transporte de cargas e passageiros, ainda se encontra significativamente mais caro do que antes do início do conflito no Irã, com um aumento de 18,9%.

Os dados, divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostram que, na semana de 3 a 9 de maio, o litro do diesel S10 teve um preço médio de R$ 7,24. Essa variação é acompanhada de perto por autoridades e pelo setor produtivo, pois o custo do frete, atrelado ao diesel, impacta diretamente o preço dos alimentos.

A trajetória de queda recente coincide com a implementação de medidas governamentais, como a subvenção ao diesel e a zeragem de impostos. No entanto, a influência dos eventos globais, como a guerra no Irã e seus reflexos na cadeia de suprimentos de petróleo, ainda se faz sentir nos preços praticados no país. Conforme informação divulgada pela ANP.

A guerra no Irã e o impacto global no preço do petróleo

Os ataques americanos e israelenses ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro, desestabilizaram o mercado internacional de petróleo. O fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural, causou turbulências na cadeia logística global. A diminuição na oferta de petróleo cru e seus derivados elevou os preços internacionais.

O barril do Brent, referência internacional, saltou de US$ 70 para picos ao redor de US$ 120. Como o petróleo é uma commodity negociada globalmente, o encarecimento foi sentido no Brasil, mesmo o país sendo um produtor. A autossuficiência nacional em diesel é limitada, com o Brasil precisando importar cerca de 30% do combustível que consome.

Medidas do governo buscam conter a alta do diesel

Para mitigar os efeitos da escalada de preços, o governo brasileiro implementou a subvenção aos produtores e importadores de diesel, em vigor desde 1º de abril. O subsídio pode chegar a R$ 1,12 por litro para o diesel nacional e R$ 1,52 para o importado, condicionado ao repasse do desconto ao consumidor final.

Adicionalmente, as alíquotas do PIS e da Cofins sobre o diesel foram zeradas, reduzindo ainda mais o custo do combustível na bomba. Essas ações fiscais visam conter a inflação e aliviar o bolso dos consumidores e do setor produtivo.

Análise: Petrobras e medidas fiscais explicam a queda recente

Segundo Iago Montalvão, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), a atuação da Petrobras e as medidas governamentais são os principais fatores por trás da recente queda no preço do diesel. Ele explica que, inicialmente, o choque de preços provocado pela guerra levou a uma tentativa de reajuste por parte das empresas.

A Petrobras, com sua forte presença no mercado de derivados, conseguiu absorver parte do aumento, evitando repasses maiores para os postos. A participação da estatal no fornecimento de diesel entre 2023 e 2025 varia entre 75,74% e 78,23%. As desonerações de impostos e as subvenções foram cruciais para segurar a alta na etapa final de distribuição e revenda.

Perspectivas: Preços ainda voláteis, mas com ajuste à nova realidade

Apesar da queda recente, o preço do barril de Brent ainda se mantém em patamar elevado, e a expectativa é de que o conflito no Irã não tenha um fim próximo. No entanto, Montalvão observa que os agentes do mercado já conseguiram se ajustar à nova realidade, o que tem levado à desaceleração dos aumentos e, em alguns casos, à redução dos preços.

O diesel S10, o mais utilizado no país, representa cerca de 70% do consumo nacional e é o tipo de combustível para o qual os veículos produzidos a partir de 2012 foram adaptados. O diesel S500, que emite mais enxofre, também apresentou queda, saindo de R$ 7,45 para R$ 7,05 o litro, uma regressão de 5,37% nas últimas cinco semanas, e ainda está 17% acima do valor pré-guerra.

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