
O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, anunciou que o banco já alcançou a marca de R$ 820 milhões em dívidas renegociadas no novo programa Desenrola Brasil. Lançado em 4 de maio pelo governo federal, o programa visa auxiliar famílias, estudantes e pequenos empreendedores a quitar débitos, limpar o nome e retomar o acesso ao crédito.
A iniciativa, em sua nova fase, terá duração de 90 dias e se destaca pela oferta de descontos de até 90%, juros reduzidos e a possibilidade de utilizar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abater dívidas.
Essa meta expressiva no curto período de vigência do programa reforça o impacto positivo que o Desenrola Brasil está gerando na economia. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia sinalizado o avanço, indicando que o programa estava próximo de atingir R$ 1 bilhão em débitos renegociados.
Em coletiva de imprensa para apresentar o balanço trimestral do banco, Carlos Vieira ressaltou que o uso do FGTS para quitação de débitos no Desenrola Brasil ainda apresenta um “gap”, ou seja, o fundo ainda não tem sido amplamente utilizado nas negociações realizadas pela Caixa. Contudo, a expectativa é que essa modalidade de pagamento seja iniciada em breve, a partir do dia 25 de maio, conforme informações da diretoria do banco.
Ataques Cibernéticos e Investimentos em Tecnologia
Durante a apresentação dos resultados financeiros, Vieira também abordou os desafios enfrentados pelo banco em relação à segurança digital. Ele informou que a Caixa teve um prejuízo de aproximadamente R$ 20 milhões no ano passado devido a fraudes relacionadas a ataques cibernéticos no aplicativo Caixa Tem.
Em resposta a essas ocorrências, o banco tem intensificado seus investimentos em tecnologia. A previsão é que os aportes em segurança e infraestrutura tecnológica atinjam a cifra de R$ 5,9 bilhões somente neste ano. Vieira assegurou que, atualmente, o aplicativo Caixa Tem opera com “praticamente zero de ataques”, demonstrando a eficácia das medidas de segurança implementadas.
Lucro em Queda, Carteira de Crédito em Alta
A Caixa Econômica Federal registrou um lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre do ano. Este valor representa uma queda de 34,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O resultado foi impactado pelo aumento expressivo nas provisões para perdas com crédito. Essas provisões mais que dobraram no período, em decorrência das novas regras regulatórias impostas pelo Banco Central para a cobertura de risco de inadimplência.
Inadimplência: Setor do Agro Gera Atenção
Apesar da redução no lucro, a Caixa manteve o crescimento em sua carteira de crédito, impulsionada principalmente pelo segmento de financiamento imobiliário, onde o banco se consolida como líder nacional. A carteira total de crédito atingiu R$ 1,4 trilhão.
A taxa de inadimplência encerrou o trimestre em 3,71%. A diretoria do banco se mostra tranquila quanto aos níveis de inadimplência nas carteiras de crédito imobiliário e comercial, tanto para pessoa física quanto jurídica. No entanto, o setor do agronegócio ainda demanda cautela e preocupação.
“Nós temos uma expectativa de que, ainda este ano, tenhamos impactos na nossa provisão relacionados ao agro”, admitiu Henriete Sartori, vice-presidente de Riscos da Caixa. Ela complementou que, embora o cenário não seja simples, já se observa um “arrefecimento da curva de crescimento” da inadimplência no setor.
Atualmente, o agronegócio representa 5% da carteira total da Caixa, evidenciando a relevância do setor para a instituição financeira.





