
Consumo de café no Brasil registra alta expressiva no primeiro quadrimestre de 2026, impulsionado pela redução de preços
Após um período de retração, o consumo de café no Brasil demonstra forte recuperação. Nos primeiros quatro meses de 2026, a bebida registrou um **aumento de 2,44%** no consumo em comparação com o mesmo período do ano anterior. No total, foram consumidas cerca de 4,9 milhões de sacas de 60 quilos, sinalizando um renovado interesse dos brasileiros pela bebida.
Essa retomada é atribuída principalmente à **desaceleração dos preços do café nos supermercados**. A queda nos valores, que começou a ser sentida de forma mais expressiva, tem incentivado os consumidores a voltarem a incluir o café em suas rotinas diárias, revertendo a tendência de queda observada anteriormente.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a recuperação no consumo ganhou força a partir de março de 2026, quando foi registrado um **salto de 10,25%** em relação ao mesmo mês de 2025. Em abril, o ritmo de crescimento manteve-se positivo, embora em menor escala, com uma alta de aproximadamente 3,66%.
Recuperação gradual após ano de desafios
O diretor executivo da Abic, Celírio Inácio, destacou que o ano de 2025 foi marcado por resiliência na cafeicultura, mas culminou em uma queda no consumo. “Começamos o ano de 2026 ainda não recuperando totalmente, mas em março começamos a mostrar um crescimento maior”, explicou. No ano anterior, a alta nos preços levou a uma **queda de 2,31% no consumo** entre novembro de 2024 e outubro de 2025.
O pico de preços entre o final de 2024 e o início de 2025 influenciou diretamente o comportamento do consumidor. No entanto, a maior oferta da matéria-prima em 2026 resultou na **redução dos preços do produto**, criando um cenário mais favorável para o aumento do consumo da bebida popular.
Queda de preços em diversas categorias de café
A redução de preços é um fator chave para a recuperação do consumo. No caso do café tradicional, a queda em abril de 2026 foi de **15,51%** em relação ao mesmo mês do ano anterior, com o quilo custando em torno de R$ 55,34. Essa diminuição torna o café mais acessível para um público maior.
A Abic monitora oito categorias de café, e a maioria apresentou queda nos preços ao consumidor. Apenas os cafés especiais (+16,9%), descafeinados (+21%) e café solúvel (+0,55%) registraram alta, indicando uma tendência de barateamento em grande parte do mercado.
Safra recorde e expectativa de preços ainda menores
As perspectivas para o restante de 2026 são otimistas. O setor espera uma **safra recorde de café no Brasil**, segundo o presidente da Abic, Pavel Cardoso. Caso essa previsão se concretize, o cenário aponta para uma nova queda nos preços, beneficiando ainda mais o consumidor.
Cardoso ressaltou que a safra de 2026 poderá ser maior que a de 2025 e potencialmente superar o recorde de 2020. “Havendo uma manutenção nessa expectativa de safra, a gente tende a ter um comportamento mais regular dessas plantações, e com isso, a indústria naturalmente deve transferir isso [essa queda nos preços] para o varejo”, afirmou.
Com a possibilidade de uma boa safra e a consequente queda nos preços, o setor acredita em um **novo aumento no consumo do produto**. “Sendo regular esse comportamento e reduzindo-se a volatilidade, o entendimento é que a gente terá um comportamento de maior recuperação desse consumo ao longo do ano”, concluiu Cardoso.
Produção de café deve crescer 18% em 2026
Dados recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reforçam o otimismo do setor. A produção de café em 2026 deverá crescer **18%** em relação à safra anterior, atingindo a marca de 66,7 milhões de sacas. Se confirmada, esta será a **maior produção já registrada** na série histórica da Conab, superando em 5,74% a colheita de 2020.





