
A Rainha da Borborema desdobra sua vocação festiva para a 43ª edição, orquestrando um espetáculo junino que funde tradição, inovação e um impacto econômico multimilionário.
Campina Grande, situada no Planalto da Borborema, a 120 quilômetros de João Pessoa, prepara-se para sediar a 43ª edição d’O Maior São João do Mundo. Entre os dias 3 de junho e 5 de julho de 2026, a cidade transformará 42 mil metros quadrados em uma cenografia vibrante de bandeirinhas, autêntico forró e o inconfundível aroma do milho assado, conforme revelado pela UAI.com.br.
A celebração junina, iniciada popularmente nos anos 1980, consolidou-se ao longo das décadas como o principal evento de rua do Brasil. Em 2026, a Prefeitura de Campina Grande comemorará os 40 anos do Parque do Povo, o palco principal da festividade, carinhosamente apelidado de “Quartel General do Forró”. A escolha do mês de junho não é casual; ela coincide com a colheita do milho, a quitação de promessas a São João Batista e o período de férias escolares no Nordeste. A festa cresceu em sincronia com a cultura paraibana, abraçando o forró pé de serra popularizado por Luiz Gonzaga e a sanfona de Dominguinhos. Um detalhe inédito para 2026 é a coincidência dos 33 dias de festejos com a Copa do Mundo, com exibições dos jogos em telões gigantes no palco principal.
Reconhecimento e projeção internacional da festa junina paraibana
A grandiosidade do evento e sua importância cultural transcenderam as fronteiras regionais. Em 27 de setembro de 2017, a Feira Central, que abastece o centro da cidade desde o início do século 20, foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Seus cerca de 75 mil metros quadrados de barracas e ruas são um pilar da identidade campinense.
O impacto da festa também alcançou dimensão internacional. Em 2025, o São João movimentou mais de R$ 740 milhões na economia local, atraindo visitantes de países como Japão, China, Portugal, Holanda, Espanha, Coreia do Sul, Austrália, Argentina, Estados Unidos, Itália e México, segundo balanço oficial da Prefeitura. Para 2026, a expectativa é ultrapassar R$ 800 milhões em movimentação e receber mais de 3,5 milhões de visitantes.
Roteiros culturais e sabores marcantes em Campina Grande
Embora o Parque do Povo seja o coração da festa, Campina Grande oferece uma rica variedade de atrações culturais disponíveis durante todo o ano, ideais para serem incluídas no roteiro dos visitantes:
- Parque do Povo: Com 42 mil metros quadrados no centro da cidade, abriga a cidade cenográfica, o palco principal, palhoças de forró pé de serra e a Pirâmide das quadrilhas.
- Parque Evaldo Cruz (Açude Novo): Espaço que receberá o quadrilhódromo e parte da programação oficial em 2026.
- Feira Central: 75 mil metros quadrados de barracas reconhecidas pelo IPHAN, funcionando de segunda a sábado com raizeiros, seleiros, barbeiros e mestres de ofício.
- Museu de Arte Popular da Paraíba (Museu dos Três Pandeiros): Projeto de Oscar Niemeyer, inaugurado no final de 2012 na margem do Açude Velho.
- Museu do Algodão: Instalado na antiga Estação Ferroviária, narra a história do ciclo do algodão que transformou a cidade em uma das maiores praças exportadoras mundiais no início do século 20.
- Açude Velho e Vila do Artesão: Cartão-postal da cidade, com lojas de artesanato regional, peças de couro e renda renascença.
A gastronomia é um destaque à parte da festividade, combinando milho, leite e carne de sol em receitas tradicionais. Entre os pratos para saborear nas barracas e restaurantes da cidade, destacam-se:
- Pamonha e canjica: Produzidas com milho verde ralado, encontradas em quiosques e com vendedores ambulantes na cidade cenográfica.
- Bolo de milho: Uma presença obrigatória nas barracas do Parque do Povo, conhecido por sua umidade e coloração dourada.
- Carne de sol com macaxeira: Prato regional servido em restaurantes do centro e em barracas como o Cantinho Nordestino.
- Buchada de bode e rubacão: Receitas típicas do sertão paraibano, presentes nos cardápios dos restaurantes ao redor do Açude Velho.
- Pastel de pamonha: Uma criação local que se tornou popular, com recheios doces e salgados de inspiração regional.
Melhor período para vivenciar a Rainha da Borborema
Campina Grande apresenta um clima tropical de altitude, com temperaturas mais amenas em comparação com o litoral paraibano, devido à sua elevação de aproximadamente 550 metros acima do nível do mar, garantindo noites frescas mesmo nos meses quentes. O Climatempo fornece um panorama das estações:
- Dezembro a fevereiro (20°C a 30°C): Noites frescas, período ideal para explorar a Feira Central e realizar passeios culturais.
- Março a maio (19°C a 28°C): Temperaturas amenizam, excelente fase para visitar os acervos dos Museus do Algodão e dos Três Pandeiros.
- Junho a agosto (16°C a 26°C): O auge da temporada atrai multidões, com clima frio perfeito para O Maior São João do Mundo e o Festival de Inverno em agosto.
- Setembro a novembro (19°C a 29°C): Tempo firme e ensolarado predomina, janela ideal para caminhar ao redor do Açude Velho, Parque da Criança e a Vila do Artesão.
Acessibilidade à capital mundial do São João
O acesso a Campina Grande é facilitado por diversas vias. A cidade dista 120 quilômetros de João Pessoa, capital da Paraíba, com um trajeto de cerca de 1 hora e 30 minutos pela BR-230. O Aeroporto João Suassuna, local, recebe voos diretos das principais capitais do Nordeste, com operações intensificadas durante o período junino. Turistas do Sudeste frequentemente desembarcam no Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, em João Pessoa, seguindo por via terrestre. Uma rota alternativa para visitantes pernambucanos é a BR-104, conectando Recife a Campina Grande em aproximadamente 200 quilômetros. Durante a festa, a Prefeitura disponibiliza linhas especiais de ônibus até as 4h da manhã para o Parque do Povo.
O Maior São João do Mundo concentra em 33 dias o que muitos festivais não conseguem em um ano inteiro, oferecendo forró autêntico, gastronomia premiada pelo IPHAN, quadrilhas competitivas e a hospitalidade nordestina que atrai turistas de todo o planeta. A experiência de subir o Planalto da Borborema em junho, dançar ao som de um trio pé de serra, permite compreender por que Campina Grande se tornou a capital mundial do São João.





