Trabalhadores em um canteiro de obras em João Pessoa, com edifícios modernos ao fundo.

Emprego formal na Paraíba: João Pessoa e Campina Grande impulsionam saldo positivo em meio à estagnação estadual

João Pessoa e Campina Grande criam milhares de vagas formais em serviços e construção civil, sustentando o mercado de trabalho na Paraíba.

Paraíba registra quase zero de vagas formais no primeiro trimestre de 2026, com as metrópoles segurando o resultado positivo.

O mercado de trabalho formal na Paraíba apresentou um cenário de estagnação no primeiro trimestre de 2026, fechando o período com um saldo líquido de apenas -41 vagas, o que representa uma variação de -0,01%. Apesar do resultado próximo ao equilíbrio, os números indicam uma melhora em relação ao ano anterior, embora ainda sem força suficiente para um crescimento expressivo. A dinâmica positiva do estado foi sustentada unicamente pelos desempenhos de João Pessoa e Campina Grande, que registraram um saldo considerável de empregos formais, enquanto outras regiões e setores apresentaram perdas.

A capital, João Pessoa, liderou a geração de empregos ao criar 2.977 vagas formais. Esse crescimento de 1,31% superou as médias nacional (1,27%) e do Nordeste (0,60%), além de superar o próprio desempenho da cidade em 2025. O setor de serviços foi o principal impulsionador, com a abertura de 2.205 postos, seguido pela construção civil, que adicionou 920 empregos, e pela indústria, com 175 novas vagas. O comércio e a agropecuária, contudo, registraram saldos negativos.

Campina Grande também demonstrou força, criando 2.125 empregos formais e alcançando um crescimento de 1,84%, taxa superior à de João Pessoa, da Paraíba, do Nordeste e do Brasil. Assim como na capital, os serviços foram o motor do crescimento local, com 1.931 vagas, e a construção civil contribuiu com 322 postos. A indústria, o comércio e a agropecuária neste município também tiveram resultados negativos.

Juntas, João Pessoa e Campina Grande foram responsáveis pela abertura de 5.378 vagas nos setores de serviços e construção civil. Esses centros urbanos concentraram quase nove em cada dez novas oportunidades nestas áreas no estado. No entanto, esse avanço foi ofuscado por perdas significativas em outros segmentos em nível estadual.

A Paraíba como um todo registrou saldos positivos em serviços (4.607 vagas) e construção civil (1.528 vagas). Contudo, esses ganhos não foram suficientes para compensar as perdas na indústria (-3.160 postos), na agropecuária (-2.984 vagas) e no comércio (-29 empregos). Essa combinação de fatores explica a quase estabilidade observada no resultado geral do estado.

Comparando com a região Nordeste, o desempenho da Paraíba se mostra ainda mais isolado. Enquanto estados como Piauí (1,29%) e Bahia (1,26%) lideraram o crescimento proporcional, e Maranhão, Ceará e Sergipe avançaram acima da média regional, a Paraíba apresentou o segundo pior desempenho relativo, à frente apenas de Alagoas. Isso demonstra que o estado não sofreu uma retração severa, mas também não acompanhou o ritmo de recuperação de grande parte da região.

A concentração territorial e setorial do crescimento é a chave para entender o cenário. O avanço do emprego formal na Paraíba ficou restrito aos seus principais centros urbanos e aos setores de serviços e construção civil. Para que o emprego formal cresça de forma mais abrangente e sustentável, é necessário que esse dinamismo se estenda para outras regiões do estado e para os demais setores econômicos, como indústria, agropecuária e comércio.

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