Crise Administrativa Afasta Presidente e Diretor Financeiro do Campinense: Atrasos Salariais e Dívidas Marcam o Clube

Conselho Deliberativo do Campinense Afasta Liderança Executiva em Meio a Graves Problemas Financeiros e Administrativos

A temporada de 2026 do Campinense, que prometia ser positiva com a vaga garantida na Série D do Campeonato Brasileiro de 2027, mergulhou em um caos administrativo. A diretoria executiva, liderada pelo presidente Flávio Torreão e pelo diretor financeiro Wellington Monteiro da Silva, foi afastada de seus cargos pelo Conselho Deliberativo no último dia 21.

O estopim para essa decisão foram as crescentes dificuldades financeiras, incluindo atrasos salariais significativos para funcionários e atletas, além de incertezas sobre a participação do clube em competições importantes. Conforme informações divulgadas, a situação se agravou a ponto de comprometer a credibilidade e o funcionamento do Campinense.

O Conselho Deliberativo, órgão fiscalizador do clube, vinha emitindo ofícios e exigindo explicações sobre a gestão dos recursos. A falta de respostas satisfatórias e o acúmulo de pendências levaram à medida extrema do afastamento, buscando reestabelecer a ordem e a transparência na administração rubro-negra.

Atrasos Salariais e Indefinição na Copa Paraíba

Um dos principais focos da crise são os atrasos salariais que afetam funcionários e jogadores que participaram da última campanha do Campeonato Paraibano. A situação gerou insatisfação e descontentamento dentro do elenco e da equipe técnica.

Além disso, paira uma grande indefinição sobre a participação do Campinense na Copa Paraíba, torneio que retorna ao calendário e oferece vaga na Copa do Brasil. O clube aguarda o detalhamento e a confirmação das datas pela Federação Paraibana de Futebol (FPF-PB) para planejar sua participação, mas o foco principal, no momento, é a busca por recursos para quitar os débitos salariais.

Cobranças do Conselho e Dívidas com a FIFA

O Conselho Deliberativo enviou quatro ofícios à diretoria executiva, cobrando esclarecimentos sobre diversos pontos. Além dos salários atrasados, as exigências incluíam explicações sobre honorários advocatícios, a gestão financeira e a conservação do patrimônio do clube.

Um dos episódios citados é o suposto sumiço de uma máquina de gelo, patrimônio do Campinense, que teria sido encontrada em um estabelecimento comercial privado. Outros materiais esportivos também teriam desaparecido do estádio Renatão. A diretoria alegou que aguardava o recebimento de patrocínio da Prefeitura de Campina Grande para efetuar os pagamentos, mas os valores não chegaram aos funcionários, com atrasos que, em alguns casos, poderiam atingir três meses.

Agrava a situação um débito de cerca de R$ 250 mil em honorários advocatícios referentes a um processo junto à FIFA, relacionado ao Mecanismo de Solidariedade. Essa dívida pode acarretar sanções severas para o clube por parte da entidade máxima do futebol mundial.

Falta de Transparência e Risco de Penhoras

O Conselho Deliberativo solicitou um relatório financeiro detalhado das receitas e despesas entre setembro de 2025 e abril de 2026. A falta de transparência na gestão financeira tem sido um ponto crítico nas cobranças.

Outra preocupação expressa pelo Conselho é com o Regime Centralizado de Execuções, um acordo com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para concentrar ações trabalhistas. O acordo determina o repasse de 20% da receita do Campinense para o pagamento de dívidas trabalhistas.

Segundo o Conselho, o presidente Flávio Torreão teria informado em reunião que o acordo não estaria sendo cumprido, o que pode levar a penhoras e restrições ao patrimônio do Campinense. Diante desse cenário, a decisão pelo afastamento foi unânime.

Próximos Passos e Defesa dos Dirigentes

O afastamento dos dirigentes não significa a destituição imediata dos cargos. Flávio Torreão e Wellington Monteiro da Silva terão 48 horas para entregar documentos, acessos e bens institucionais.

Eles também terão até o dia 20 de junho para apresentar suas defesas ao Conselho Deliberativo. Em 1º de julho, o relator Francisco Neto emitirá um parecer, e o Conselho Deliberativo tomará a decisão final, que pode ser a destituição, o retorno aos cargos ou a prorrogação do afastamento. Enquanto isso, o vice-presidente William Simões assume interinamente a presidência do Campinense.

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