
Mercado revisa projeção da inflação para 5,04% em 2024, estourando meta do BC e pressionada pela guerra no Oriente Médio
A expectativa do mercado financeiro para a inflação oficial em 2024 foi elevada para 5,04%. Esta é a décima primeira semana consecutiva de alta na previsão, que agora ultrapassa o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%. A guerra no Oriente Médio e a consequente pressão sobre os preços dos combustíveis e alimentos são os principais fatores que têm impulsionado essa revisão.
A informação consta no Boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central (BC) que compila as projeções de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país. A meta de inflação para este ano é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que significa que o limite superior é de 4,5%.
Em abril, a inflação oficial (IPCA) fechou em 0,67%, influenciada principalmente pela alta nos preços dos alimentos. No acumulado de 12 meses até abril, o IPCA estava em 4,39%, ainda dentro do intervalo da meta. No entanto, as novas projeções indicam um cenário de **pressão inflacionária contínua** para os próximos meses.
Projeções para os próximos anos e o impacto da Selic
As projeções para os anos seguintes também foram ajustadas. Para 2027, a estimativa de inflação subiu de 4% para 4,01%. Já para 2028 e 2029, as previsões são de 3,65% e 3,5%, respectivamente. Para controlar a inflação e atingir as metas, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 10,50% ao ano.
Apesar das tensões globais, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC realizou cortes na Selic em reuniões recentes, buscando equilibrar o controle inflacionário com a necessidade de estimular a economia. Contudo, a guerra no Oriente Médio e seus reflexos nos preços de energia e alimentos dificultam a trajetória de queda dos juros, e o Copom não deu pistas sobre futuras decisões, afirmando monitorar o conflito.
A estimativa do mercado para a Selic ao final de 2026 permanece em 13,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a expectativa é de redução para 11,25% e 10% ao ano, respectivamente, com a taxa projetada em 10% para 2029. A elevação da Selic encarece o crédito e estimula a poupança, enquanto a redução tende a baratear o crédito, incentivando a produção e o consumo, mas podendo gerar maior controle sobre a inflação.
Crescimento econômico e cotação do dólar
No que diz respeito ao Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento para o Brasil em 2024 foi levemente elevada de 1,85% para 1,89%. Para 2027, a projeção do PIB caiu de 1,77% para 1,7%, enquanto para 2028 e 2029, o mercado financeiro espera uma expansão de 2% ao ano.
Em relação ao câmbio, a cotação do dólar está prevista em R$ 5,17 para o final deste ano. Para o fim de 2027, a expectativa é que a moeda norte-americana seja negociada a R$ 5,26, indicando uma leve desvalorização do real no médio prazo.
O Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, reflete as expectativas de analistas de mercado para os principais indicadores econômicos, sendo uma referência importante para entender o cenário econômico brasileiro e as projeções futuras. A **persistência da inflação acima da meta** e a incerteza gerada por conflitos internacionais são os pontos de atenção no momento.





