
Banco Central esclarece destino de recursos de clientes do conglomerado Master após liquidação, apontando concentração em grandes bancos e ausência de risco sistêmico.
O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira, 25, que os recursos ressarcidos aos clientes do conglomerado Master, após sua liquidação extrajudicial, foram predominantemente destinados a bancos de maior porte. Essa análise faz parte do Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do segundo semestre de 2025.
De acordo com o documento, a liquidação das instituições do grupo, que incluíam Master, Master BI e Letsbank, não provocou efeitos sistêmicos no Sistema Financeiro Nacional (SFN). A autoridade monetária monitorou de perto a movimentação dos valores para garantir a estabilidade do mercado.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) desembolsou R$ 37,7 bilhões para os clientes afetados entre janeiro e fevereiro deste ano. Deste montante, uma parcela significativa, equivalente a R$ 20,77 bilhões, foi aplicada em títulos emitidos por instituições financeiras, enquanto outros R$ 1,47 bilhão foram investidos em títulos privados e R$ 15,46 bilhões tiveram outras destinações.
Concentração de Recursos em Grandes Bancos
O relatório do BC aponta que os maiores bancos do sistema financeiro absorveram a maior parte dos recursos devolvidos pelo FGC. Instituições classificadas como S1, que reúnem bancos com ativos equivalentes a pelo menos 10% do PIB ou forte atuação internacional, receberam 40,9% dos valores.
Já os bancos S2, considerados de grande porte e relevância sistêmica, ficaram com 24,2% dos recursos. Essa concentração demonstra a capacidade dos grandes players do mercado financeiro em absorver grandes volumes de capital.
Ausência de Risco Sistêmico Comprovada
Durante a apresentação do relatório, Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, enfatizou que a migração dos recursos foi acompanhada de perto. Ele afirmou que o BC monitorou a movimentação detalhadamente, de “CPF por CPF e CNPJ por CNPJ”.
Aquino reiterou que a liquidação do conglomerado Master, que representava cerca de 0,1% dos ativos totais do sistema bancário brasileiro, “não gerou efeito no sistema financeiro”. A declaração corrobora a avaliação do presidente do BC, Gabriel Galípolo, que minimizou o risco sistêmico envolvido no caso, comparando a situação de um banco S3 a um time de “terceira divisão do futebol do sistema financeiro”.
Sistema Financeiro Brasileiro Permanece Sólido
O Relatório de Estabilidade Financeira reforça a solidez do sistema financeiro brasileiro, mesmo diante de um cenário de juros elevados e aumento da inadimplência. O BC assegura que não há risco relevante para a estabilidade financeira, com o SFN mantendo capitalização e liquidez confortáveis.
Testes de estresse indicam que os bancos possuem capacidade de resistência em cenários adversos. A rentabilidade das instituições financeiras permaneceu praticamente estável no segundo semestre de 2025, com o crescimento dos resultados operacionais compensando o aumento dos custos com provisões.
Desaceleração do Crédito e Crescimento do Pix
O relatório também destaca uma perda de ritmo no crescimento do crédito em 2025, tanto para famílias quanto para empresas. O BC identificou aumento do comprometimento da renda e avanço da inadimplência em diversas modalidades de crédito, com projeção de continuidade dessa trajetória na maioria delas.
Apesar disso, os bancos mantêm provisões adequadas para absorver perdas esperadas. Em contrapartida, o Pix continua sua trajetória de crescimento, respondendo por 29% das transações no varejo no segundo semestre de 2025, consolidando-se como um importante meio de pagamento no país.





