
Entenda a polêmica dos portões abertos do Botafogo-PB e as regras da Série C
O Botafogo-PB, em meio a uma sequência desafiadora de oito jogos sem vitória na Série C, viu seu investidor, Fillipe Félix, anunciar uma medida ousada: a partida contra o Maringá, no Estádio Almeidão, teria “portões abertos”, com entrada gratuita para a torcida.
A intenção era clara, aproximar o torcedor do clube em um momento delicado, buscando o apoio fundamental nas arquibancadas. No entanto, a iniciativa, que inicialmente previa a doação de alimentos como contrapartida, precisou ser revista.
A mudança de planos gerou dúvidas entre os torcedores sobre as regras para jogos com gratuidade no futebol brasileiro. Afinal, o que diz a legislação sobre essa prática e quais foram os motivos que levaram o Botafogo-PB a “desistir” da ideia inicial?
O Estatuto do Torcedor e a gratuidade nos estádios
A legislação brasileira, através do Estatuto do Torcedor (Lei nº 10.671, de 2003), permite a realização de partidas com “portões abertos”, ou seja, com entrada gratuita. Contudo, a norma estabelece uma série de exigências para garantir a segurança, a organização e o controle do público.
É fundamental entender que a gratuidade não isenta o clube mandante e os organizadores de suas responsabilidades. Mesmo sem a cobrança de ingressos, continuam sendo obrigatórios o rigoroso controle da quantidade de pessoas presentes, a prevenção contra a superlotação, a organização adequada dos acessos, a garantia de segurança em todas as etapas do evento e o cumprimento das normas de entrada e permanência.
Na prática, “portões abertos” não significam acesso livre e descontrolado. Geralmente, os clubes precisam implementar mecanismos de controle, como a distribuição de ingressos gratuitos com antecedência, a retirada prévia das entradas ou até mesmo um cadastro específico para os torcedores interessados em comparecer sem custo.
Regulamento da Série C impõe limite mínimo para ingressos
No caso específico do Botafogo-PB, a situação se complica com uma regra particular do regulamento financeiro da Série C. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estabelece um preço mínimo para a comercialização de ingressos nas competições nacionais.
Este regulamento determina que o valor mínimo para ingressos inteiros é de R$ 10,00, enquanto as meias-entradas não podem custar menos de R$ 5,00. Essa exigência da CBF foi o principal fator que impediu o Botafogo-PB de seguir com a proposta inicial de gratuidade total.
Diante deste cenário, o clube precisou adequar sua estratégia e optou por uma promoção especial, mantendo os ingressos com os valores mínimos permitidos pelo regulamento da Série C para o confronto contra o Maringá, pela 9ª rodada da competição. A ideia de “portões abertos” foi substituída por uma ação promocional com preços simbólicos, buscando ainda assim incentivar a presença da torcida.
Novas regras para o torcedor botafoguense
Apesar da impossibilidade de gratuidade total, o Botafogo-PB buscou alternativas para atrair o público. A diretoria definiu que os ingressos para a partida contra o Maringá terão o valor mínimo estipulado pela CBF. A intenção é que o torcedor compareça em peso para apoiar o time em um momento crucial da temporada.
A “desistência” da gratuidade total, portanto, não foi uma falta de vontade do clube em se aproximar da torcida, mas sim uma necessidade de adequação às regras da Série C. O regulamento financeiro da competição é claro quanto aos valores mínimos de comercialização, impedindo ações de “portões abertos” sem qualquer tipo de contrapartida financeira, mesmo que simbólica ou destinada a causas sociais.
A torcida do Botafogo-PB, embora não tenha sido contemplada com a entrada gratuita prometida inicialmente, é chamada a comparecer ao Almeidão e apoiar o time. A promoção com valores acessíveis visa justamente facilitar o acesso e reencontrar a força da paixão alvinegra nas arquibancadas, na esperança de que o time reencontre o caminho das vitórias.





