
Paraíba se prepara para disputa eleitoral de 2026 em cenário de alta competitividade e imprevisibilidade inéditas nas últimas décadas
O estado da Paraíba atravessa um momento político singular, com as próximas eleições para governador e senador prometendo ser as mais disputadas das últimas décadas. Diferente de anos anteriores, que apresentavam favoritos mais consolidados, o atual quadro político revela múltiplos nomes com potencial competitivo, a força de diversos grupos políticos e uma divisão regional que acirra a disputa.
Na corrida pelo governo estadual, Lucas Ribeiro, atual governador e pré-candidato, desponta como um nome de extrema competitividade. Ele herda uma gestão administrativa com alta aprovação, beneficiado pela administração de João Azevêdo, e conta com um grupo político coeso, além do apoio majoritário de prefeitos paraibanos, um fator historicamente decisivo em pleitos estaduais. Sua postura conciliadora, capacidade de diálogo e boa aceitação em variados ambientes políticos o credenciam para a disputa majoritária.
Outro forte concorrente é Cícero Lucena. Com um patrimônio político relevante, oriundo de passagens como prefeito de João Pessoa, governador e senador, Cícero visa o governo estadual. Sua força se estende pela Região Metropolitana de João Pessoa, que concentra cerca de um terço do eleitorado, e também pelo interior. A aliança com o grupo de Cássio Cunha Lima, que mantém expressiva influência política, especialmente em Campina Grande e outras cidades do interior, reforça sua candidatura.
O senador Efraim Filho surge como um representante do campo mais identificado com a direita paraibana. Sua atuação política, com forte presença na região de Campina Grande e outros municípios importantes, tende a atrair o eleitorado conservador. O crescimento da direita nas regiões metropolitanas e o apoio do prefeito de Campina Grande ampliam significativamente sua base eleitoral, posicionando-o como um candidato competitivo.
No cenário para o Senado Federal, a disputa também se mostra acirrada. João Azevêdo chega fortalecido pela aprovação de sua gestão como governador, contudo, enfrenta desafios políticos na relação com prefeitos e na consolidação do segundo voto em municípios menores, após não ter sua reeleição garantida nos maiores colégios eleitorais. Ainda assim, seu primeiro voto ao Senado é esperado com força.
O senador Veneziano Vital do Rêgo busca a reeleição com um trabalho consolidado em praticamente todos os municípios paraibanos, através de ações e benefícios de seu mandato. O apoio estratégico de prefeitos de Campina Grande e João Pessoa, além de sua forte ligação com o presidente Lula, reforçam sua posição como representante do campo governista nacional no estado.
André Gadelha, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Sousa, desponta como pré-candidato com potencial de representatividade no Sertão paraibano. Embora sua força eleitoral ainda seja uma incógnita, sua entrada na disputa aumenta a imprevisibilidade e o equilíbrio da corrida pelo Senado.
Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos com alta aprovação administrativa, também se apresenta como nome forte no Sertão paraibano. Sua influência política regional, combinada com o apoio nacional do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, fortalece sua estrutura para a disputa pelo Senado.
Na direita, Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde, busca concentrar o voto conservador ao Senado. Sua identificação ideológica com o bolsonarismo é notória, mas o alcance real dessa força eleitoral ainda é incerto em meio à pulverização política esperada para a disputa estadual.
O blogdomiltonfigueiredo.com.br, em sua análise, destaca que a Paraíba vivencia um momento raro, com múltiplos grupos políticos fortes, lideranças tradicionais em jogo, influência crucial dos prefeitos, peso dos maiores colégios eleitorais e uma clara divisão ideológica. Esse cenário complexo e equilibrado impede previsões definitivas sobre os eleitos até a apuração final dos votos, configurando uma eleição histórica marcada pela imprevisibilidade e pela força regional dos candidatos.




