Copom em Foco: Juros Selic Sobem? Mercado Eleva Previsão de Inflação para 5,3% em 2024

Copom se reúne para decidir o futuro da Selic em meio a incertezas globais e inflação em alta

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) inicia nesta terça-feira (16) e quarta-feira (17) sua reunião para definir a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em 14,5% ao ano. A decisão será tomada após análise criteriosa dos indicadores econômicos brasileiros e do cenário internacional, especialmente as tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Na última reunião, em abril, o Copom optou por um corte de 0,25 ponto percentual, marcando a segunda redução consecutiva, porém em ritmo mais lento. A justificativa para a cautela incluiu as incertezas geradas por conflitos globais e as projeções de uma inflação mais persistente.

A Selic é o principal termômetro dos juros no Brasil, influenciando diretamente o custo de financiamentos, empréstimos, investimentos e o acesso ao crédito para famílias e empresas. Qualquer mudança na taxa tem um impacto significativo na economia.

A ata da reunião anterior não ofereceu previsões claras sobre a trajetória futura dos juros. O comitê enfatizou o monitoramento do conflito no Oriente Médio e seus possíveis desdobramentos na inflação, citando também as incertezas relacionadas à política econômica dos Estados Unidos como fatores de atenção.

O documento destacou que o Copom manterá uma postura de serenidade e cautela na condução da política monetária. Os próximos passos na calibração da taxa Selic dependerão de novas informações que tragam maior clareza sobre a extensão dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços.

Mercado Financeiro Eleva Expectativas de Inflação e Selic

Diante desse cenário de incertezas, o mercado financeiro tem revisado suas projeções. O boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (15), aponta que a expectativa para a taxa Selic ao final de 2026 é de 13,5% ao ano, uma leve redução em relação à semana anterior, quando a previsão era de 13,75%.

No entanto, as expectativas para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), seguem em trajetória ascendente. A projeção para o IPCA em 2024 subiu de 5,11% para 5,3%. Essa é a décima quarta semana consecutiva de elevação nas previsões de inflação, influenciada pelas pressões econômicas decorrentes do conflito no Oriente Médio.

As projeções atuais para o IPCA já ultrapassam o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%. A meta central é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Câmara dos Deputados Pode Votar Fim da Escala 6×1

Em paralelo às discussões sobre a política monetária, a Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (16) o Projeto de Lei (PL) 1838/26, que visa acabar com a escala de trabalho 6×1. A aprovação da matéria é vista como crucial para destravar a pauta de votações da Casa.

O presidente da Câmara, Arthur Lira, convocou uma reunião de colégio de líderes para tratar do projeto. O relator da proposta, deputado federal Léo Prates, deverá esclarecer pontos importantes do texto. A intenção é que a votação ocorra após essas discussões.

O projeto, enviado pelo governo em abril, propõe o limite de 40 horas semanais de trabalho e oito horas diárias, conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Além disso, garante aos trabalhadores dois descansos semanais remunerados de 24 horas consecutivas.

Por ter sido enviado em regime de urgência, o PL 1838/26 está impedindo a deliberação de outras propostas, como Emendas à Constituição (PECs), Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) e requerimentos de urgência. A expectativa é que, após sua votação, a pauta da Câmara seja liberada.

O relator, Léo Prates, deve manter os mesmos pontos da PEC que já havia aprovado o fim da escala 6×1, reduzindo a jornada semanal de 44 para 40 horas e estabelecendo a escala de cinco dias de trabalho por dois de folga (5×2). Essa PEC está atualmente em análise no Senado.

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