
A história do futebol paraibano reserva capítulos emocionantes, e um dos mais notáveis é o do Estrela do Mar Esporte Clube. Fundado em 1953 em Jaguaribe, o clube não só conquistou o Campeonato Paraibano em 1959, um feito inédito, mas também se tornou um celeiro de talentos, revelando o único paraibano campeão mundial com a Seleção Brasileira, Mazinho.
O Estrela do Mar nasceu da iniciativa do frei alemão Albino Klein, que visava oferecer lazer a jovens em um campo de futebol improvisado. A fundação oficial ocorreu em 6 de maio de 1953, reunindo jovens congregados marianos e frequentadores das Cruzadas. O nome, inspirado em uma revista mariana, e as cores azul e branco, remetiam à devoção mariana, marcando a identidade do clube.
A trajetória vitoriosa do Estrela do Mar começou cedo. Em 1956, conquistou o título amador de forma invicta, garantindo vaga na elite estadual. Em 1957, estreou no Campeonato Paraibano, terminando em terceiro lugar. O clube viveu um momento trágico naquele ano com a morte do jovem jogador José Panta das Neves em um acidente de ônibus, mas a força da equipe se confirmou em 1958, quando foi vice-campeã estadual.
O ápice veio em 1959, com a conquista do Campeonato Paraibano. A campanha foi histórica, com o time surpreendendo e vencendo o primeiro turno. Na grande final, o Estrela do Mar superou o Auto Esporte após uma série emocionante, com o gol decisivo marcado de pênalti por Hermes Taurino. A equipe campeã contava com craques como Jola, Carrinho, Davi, Gilberto Cara de Gato, Aderbal Pitombeira, Hermes Taurino, Teófilo Luna, Coelhinho, Caju, Lúcio Câmara, Izinho, Emilson, Adjamir, Valdecir Pereira, Celso e Piaba, sob o comando do técnico Severino Holanda Barbosa, o “Viu”.
A revelação de Mazinho e a participação na Taça Brasil
O talento de Mazinho foi lapidado nas categorias de base do Estrela do Mar. Chegou ao clube aos 12 anos e atuou tanto no futebol de campo quanto no de salão por cerca de quatro anos, antes de seguir para o Santa Cruz-PB. Sua formação no Estrela do Mar foi fundamental para o desenvolvimento de um dos maiores jogadores paraibanos de todos os tempos.
Com o título paraibano, o Estrela do Mar garantiu vaga na Taça Brasil de 1960, o equivalente ao Campeonato Brasileiro da época. A equipe enfrentou o ABC de Natal em uma disputa de três jogos. Venceu a primeira partida em João Pessoa por 2 a 1, mas foi eliminado após duas derrotas consecutivas no Rio Grande do Norte. Apesar da eliminação precoce, a participação marcou um momento importante para o futebol paraibano.
O declínio e o legado social
A partir de 1961, com a profissionalização definitiva do futebol paraibano, o Estrela do Mar deixou a elite estadual por ter poucos atletas registrados profissionalmente. No entanto, o clube continuou ativo em competições mistas, conquistando títulos em 1962, 1964 e 1966, além de se destacar em outras modalidades como futsal, vôlei e basquete.
O principal papel do Estrela do Mar, mesmo distante das grandes campanhas estaduais, foi o seu trabalho social em Jaguaribe. O clube aproximou jovens do esporte e da convivência comunitária, deixando um legado valioso. No início dos anos 2000, o clube perdeu sua sede histórica devido a um rompimento com a Igreja Católica, o que levou ao seu encerramento oficial.
Atualmente, o campo onde tantos craques iniciaram suas carreiras não existe mais. A quadra permanece, mas sem o dinamismo de outrora. Contudo, a memória do Estrela do Mar vive na Associação Filhos da Cruzada, criada para preservar troféus, fotografias e a rica história de um dos clubes mais simbólicos do futebol paraibano, um verdadeiro campeão em formar talentos e promover o esporte.




