
A resiliência das manifestações culturais de Campina Grande frente aos desafios logísticos e financeiros, mas que ainda mantêm sua essência social para milhares de jovens e grupos marginalizados
Um estudo recente da Quaest revelou que um impressionante número de 450 quadrilhas juninas já integra o histórico do São João de Campina Grande, no Agreste paraibano. A análise aprofundada, que examinou as particularidades desses grupos culturais na festividade conhecida como “O Maior São João do Mundo”, indica que, atualmente, apenas cerca de 14 dessas centenas de formações mantêm suas atividades, conforme levantamento divulgado pela Quaest.
A maioria das quadrilhas que permanecem em cena é liderada por mulheres, evidenciando uma forte presença feminina na gestão desses grupos. A pesquisa aponta que a manutenção dessas tradições vai muito além do período junino, com atividades que se estendem por todo o ano e enfrentam barreiras significativas. As dificuldades incluem a complexa logística para o transporte de materiais e membros, além da persistente escassez de recursos financeiros essenciais para a confecção de cenários e figurinos vibrantes.
Embora o investimento oriundo de políticas públicas e da iniciativa privada tenha registrado um incremento nos últimos anos, o montante ainda é considerado inadequado e sua distribuição entre os grupos revela-se desigual. Para além do seu inegável valor cultural, as quadrilhas juninas desempenham uma vital função social. O estudo da Quaest destaca que esses grupos representam espaços de acolhimento e verdadeiras redes de proteção para milhares de jovens, incluindo membros da comunidade LGBTQIAPN+ e residentes de áreas periféricas, que encontram nas juninas um refúgio e um sentido de pertencimento.
Em Campina Grande, algumas quadrilhas alcançaram um nível de profissionalização notável, desenvolvendo estruturas próprias de produção que englobam fábricas e equipes dedicadas à criação de figurinos e cenários. Tais grupos não apenas se destacam localmente, mas também servem de inspiração e referência para outras quadrilhas em diferentes regiões do Brasil. A mobilização de cada quadrilha gera uma importante cadeia produtiva, envolvendo uma diversidade de profissionais como cenógrafos, costureiros, dançarinos, maquiadores e músicos.
O trabalho intenso das juninas não se restringe apenas ao mês de junho. A preparação para a temporada seguinte geralmente inicia-se logo após o encerramento das apresentações, entre os meses de julho e outubro. Nesse período, os grupos começam a idealizar e desenvolver novos espetáculos, seguindo um ciclo que espelha o de outras grandes manifestações culturais do país, como as renomadas escolas de samba.




