Antes dos Aviões do Forró, Marizópolis Curtia o Som das ‘Asas do Forró’: A História de um Ícone Esquecido

As Asas do Forró: A banda que fez Marizópolis dançar antes do sucesso nacional

Muito antes de nomes como Xand e seus Aviões do Forró conquistarem o Brasil, a cidade de Marizópolis já tinha seu próprio ritmo. As ‘Asas do Forró’ foram a banda que embalou as festas juninas e os corações da região, com uma sonoridade autêntica e contagiante.

A lembrança da banda evoca memórias de noites quentes, chão batido e a alegria genuína do povo. A energia que emanava do palco, com músicos talentosos e um repertório que convidava à dança, marcou uma geração.

Essa é a história de um grupo que, mesmo sem o reconhecimento nacional de outros, deixou um legado inesquecível na cultura local, provando que o verdadeiro forró sempre encontra seu espaço e seu público fiel. Conforme relatos da época, a banda não tinha o potiguar Alexandre, mas contava com o carismático Manoel Baco-Baco e a voz potente de Beé no vocal.

O palco improvisado e a energia contagiante em Pau de Leite

A estreia da atração local em um recanto de Pau de Leite, ainda com chão batido, foi um evento memorável. A descida da ladeira e a chegada ao local já anunciavam a festa. O beco estava entupido de gente, ansiosa para curtir o som das ‘Asas do Forró’.

O barracão, decorado com palha de coco, se transformou no epicentro da alegria. A turma dançava, levantando poeira e o calor característico do piso de barro molhado. Era a pura essência do forró pé de serra.

A bateria vibrante de Naim e a sanfona de Jurandir, o ás da região

A bateria empolgada de Naim ditava o ritmo, com viradas que faziam o prato do instrumento parecer chorar de emoção. A cada batida, a energia subia, contagiando a todos os presentes.

E, para completar a magia, a sanfona de Jurandir, o ás da região, embalava a noite com acordes apurados. A combinação da percussão vibrante com a melodia da sanfona criava uma atmosfera única e inesquecível.

O suor, a dança e o clima das festas juninas autênticas

Enquanto a bandinha fazia o chão tremer, o suor dos forrozeiros escorria pelo rosto, misturando-se à poeira e à alegria. As saias das moças subiam timidamente, e os pares se abraçavam em uma dança que unia corpos e almas.

A meia luz do local adicionava um toque especial, tornando cada passo de dança mais íntimo e envolvente. Era um cenário que capturava a essência das festas juninas mais autênticas, onde a música e a dança eram as protagonistas.

Barracas, bebidas e a certeza de que o forró não tinha hora para acabar

Nos arredores, as barracas ofereciam quitutes típicos, como espetinhos e salgados, além de bebidas para todos os gostos e bolsos. Cachaça para os mais ousados, rum para quem podia pagar e guaraná para quem preferia algo mais leve.

O forró, como era de se esperar, tinha hora para começar, mas só terminava quando o dia amanhecesse, o cansaço batesse ou alguma confusão, como as protagonizadas por Tita e Totonho, forçasse a polícia a intervir e encerrar a folia.

O legado das ‘Asas do Forró’ na memória de São João

Um dia, as ‘Asas do Forró’ bateram suas asas e se espalharam pelo tempo. A banda, que marcou época em Marizópolis, pode ter deixado os palcos, mas sua existência continua viva na memória de quem viveu aqueles momentos.

A lembrança daquela simpática banda ainda voa nos pensamentos, pousando no ninho das melhores lembranças de São João. Um pedaço da história do forró que merece ser relembrado e celebrado.

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