
Jogos do Brasil na Copa do Mundo provocam altos e baixos no consumo de energia elétrica em todo o país
A paixão nacional pelo futebol, especialmente durante a Copa do Mundo, tem um reflexo direto e surpreendente no consumo de energia elétrica no Brasil. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revelam que a entrada da Seleção Brasileira em campo funciona como um interruptor para a demanda energética, causando quedas drásticas durante as partidas e picos intensos nos intervalos e após os jogos.
Essa dinâmica, que já se tornou um padrão em Copas anteriores, demonstra como grandes eventos mobilizam a atenção dos brasileiros, alterando hábitos e, consequentemente, o consumo de recursos. O ONS tem um papel fundamental em monitorar essas variações para garantir a estabilidade do sistema elétrico nacional.
As informações sobre essas oscilações foram divulgadas pelo ONS, órgão responsável pela coordenação da geração e transmissão de energia em todo o país. Acompanhar esses movimentos é crucial para o planejamento e a gestão do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Queda vertiginosa de consumo durante os jogos
No confronto mais recente da Seleção Brasileira, por exemplo, foi observado um padrão claro. No momento em que a partida começou, a demanda de energia elétrica despencou. Às 19h, o consumo registrado era de aproximadamente 90 mil megawatts (MW). Até o fim do primeiro tempo, essa redução foi de 9.058 MW, um volume impressionante que se equipara à soma das cargas médias dos estados do Rio de Janeiro e do Pará.
Essa “economia” de energia não acontece apenas no início do jogo. O ONS notou que, antes mesmo da bola rolar, em 18h25, a carga de consumo estava em 98 mil MW, caindo 7 mil MW até o apito inicial. Essa redução inicial já equivale à carga média de Minas Gerais, mostrando o poder de mobilização do torcedor brasileiro.
Picos expressivos nos intervalos e ao final das partidas
O comportamento se inverte drasticamente quando o primeiro tempo termina. Em apenas nove minutos, o consumo de energia disparou 5,6 mil MW. Esse aumento repentino é equivalente à soma das cargas médias de Santa Catarina e Mato Grosso, indicando que milhões de brasileiros ligam seus eletrodomésticos simultaneamente para lanches, preparo de refeições ou para assistir a replays e comentários.
O ONS destacou que essa “rampa de elevação de carga” no intervalo foi a maior registrada nos últimos três intervalos de jogos do Brasil em Copas do Mundo. Com o reinício da partida, a demanda volta a cair, atingindo o menor nível, 78.236 MW, poucos minutos antes do apito final, às 20h59.
Classificação gera novo salto no consumo
A euforia da classificação da Seleção Brasileira como líder do grupo C provocou mais um aumento significativo no consumo. Em aproximadamente 18 minutos, a demanda subiu 8.546 MW. Esse incremento é comparável à soma da carga média do Paraná e da Bahia, demonstrando como a celebração pós-jogo também impacta o sistema elétrico.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, enfatiza a importância desse monitoramento. “Da sala de casa às festas de rua, todos estes comportamentos influenciam nossa operação”, afirma. Ele ressalta que o ONS tem a missão de coordenar um sistema elétrico de dimensões continentais, e eventos de grande audiência como os jogos da Copa exigem planejamento e resposta ágil para garantir o fornecimento contínuo de energia.



