
IGP-M registra deflação em junho com queda em combustíveis e café
Os preços de combustíveis, minerais e do café apresentaram uma retração significativa em junho, levando a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) a registrar um recuo de 0,5%. Esta é a primeira vez que o índice, conhecido popularmente como “inflação do aluguel”, apresenta um resultado negativo desde fevereiro deste ano, sinalizando uma tendência de barateamento em diversos setores da economia.
A deflação observada em junho contrasta com o cenário de alta dos meses anteriores. Em maio, o IGP-M havia registrado uma alta de 0,84%. A divulgação dos dados foi realizada nesta segunda-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), que monitora de perto esses indicadores.
O resultado de junho veio abaixo das expectativas do mercado financeiro, que, segundo a pesquisa Focus do Banco Central, projetava uma leve alta de 0,03% para o período. Essa diferença entre o previsto e o realizado demonstra a força da queda nos preços de commodities importantes para a economia brasileira. Conforme informação divulgada pela FGV, no acumulado de 12 meses, o IGP-M registra uma alta de 3,16%.
Commodities em Patamares Pré-Guerra e Impacto na Inflação
Segundo Matheus Dias, economista da FGV, a convergência dos preços de commodities energéticas e minerais para patamares anteriores ao conflito no Oriente Médio foi um dos principais fatores para a deflação. Essa normalização de preços internacionais se reflete diretamente no mercado interno.
No setor agrícola, o aumento da oferta de produtos devido às safras também contribuiu para a queda de preços. Produtos como a cana-de-açúcar e o café em grão apresentaram reduções expressivas, o que, por sua vez, impacta os preços ao consumidor.
“Parte dessa redução nos preços ao produtor tem sido repassada aos preços ao consumidor, com destaque para as quedas em gasolina, etanol e café em pó”, explicou Dias. Essa dinâmica sugere um alívio para o bolso do consumidor em itens essenciais e de consumo frequente.
Componentes do IGP-M: Produtor, Consumidor e Construção
O IGP-M é composto por três índices principais, cada um com um peso específico na sua apuração. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% do indicador, apresentou uma deflação de 0,97% em junho. Este índice é o que mais sente a variação dos preços das matérias-primas.
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-M, apresentou uma alta de 0,47% em junho. Embora tenha subido, a intensidade foi menor que no mês anterior, quando o índice registrou 0,61%. O terceiro componente, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), variou positivamente 0,85% no mês.
Produtos que Mais Influenciaram a Queda de Preços
Diversos produtos tiveram quedas expressivas e puxaram o IGP-M para baixo. No Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), destacam-se a queda de 9,69% no café (em grão) e de 6,18% no óleo diesel. O minério de ferro também registrou uma retração de 2,61%.
No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a gasolina apresentou uma queda de 1,29%, e o etanol, de 5,61%. O café em pó também ficou mais barato, com recuo de 2,57%. No setor de construção, o carreto para retirada de entulho teve uma leve queda de 0,17%.
IGP-M: O “Inflação do Aluguel” e seu Papel na Economia
O IGP-M é amplamente conhecido como “inflação do aluguel” porque seu acumulado em 12 meses é frequentemente utilizado como base para o reajuste anual de contratos de aluguel. Além disso, o índice serve como indexador para o reajuste de tarifas públicas, como energia e telefonia, e outros serviços essenciais.
A coleta de preços para o cálculo do IGP-M é realizada pela FGV em sete capitais brasileiras: Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O período de levantamento para o índice de junho ocorreu entre os dias 21 de maio e 20 de junho.




