Rádio UFRJ FM 88,9: A Voz da Universidade Chega ao Grande Rio Após Quase 40 Anos de Luta e Ativismo Estudantil

UFRJ FM 88,9: A Voz da Universidade Chega ao Grande Rio Após Quase 40 Anos de Luta e Ativismo Estudantil

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) celebrou um marco histórico nesta sexta-feira (3) com a inauguração da Rádio UFRJ FM, operando na frequência 88,9 FM. A emissora, que vinha funcionando apenas na internet desde 2019, finalmente alcança o Grande Rio com transmissões experimentais, após décadas de perseverança e um longo caminho desde os primórdios de um transmissor improvisado.

A trajetória da Rádio UFRJ FM é marcada por um forte ativismo estudantil, que remonta a 1989, quando estudantes fundaram a Rádio Livre. Essa iniciativa, que enfrentou perseguições e foi acusada de operar clandestinamente, pavimentou o caminho para a oficialização da emissora universitária. A conquista da frequência FM representa a vitória de um projeto que sempre buscou a democratização da comunicação e a divulgação científica e cultural.

A programação da Rádio UFRJ FM promete ser um reflexo da diversidade e riqueza da produção acadêmica e cultural. A emissora trará música independente, conteúdos infantojuvenis, divulgação científica, notícias e esportes, além de blocos da Rádio MEC AM, reforçando seu compromisso com a informação pública e de qualidade. A expectativa é alcançar cerca de 10 milhões de ouvintes em todo o Grande Rio.

Uma Conquista Fruto de Décadas de Luta e Ativismo

A inauguração da Rádio UFRJ FM, na frequência 88,9 FM, é o ápice de uma jornada que começou há quase 40 anos. O professor Marcelo Kischinhevsky, diretor da UFRJ FM, relembrou os primórdios, quando em junho de 1989, ele e outros estudantes colocaram no ar a Rádio Livre com um transmissor que cabia em uma caixa de sapatos. Na época, a programação era gravada em fita cassete e transmitida a partir do centro acadêmico.

Essa emissora livre, que mais tarde se tornou a Rádio Interferência, transmitiu por duas décadas. No entanto, enfrentou o fechamento pela polícia, sob a acusação de ser “pirata”, especialmente quando conseguiu um transmissor mais potente. A luta pela legalização foi longa, culminando somente em 2014, com a mediação do Ministério Público Federal e a reorganização do dial carioca, quando a UFRJ obteve um canal FM em parceria com a EBC.

“A gente tinha 20 anos quando o Leonardo Pinheiro, estudante de engenharia, arrumou o transmissor e começamos a montar a rádio, que transmitia do centro acadêmico, com programação gravada em fita cassete”, recordou o docente. “Depois, fruto do ativismo estudantil, a rádio ampliou a potência, foi criminalizada, acusada de interferir em aeroporto, mas isso abriu a discussão para que conseguíssemos um canal”, explicou Kischinhevsky.

Estrutura e Financiamento: Superando Desafios

Com a concessão do 88,9 FM, a Universidade Federal do Rio de Janeiro pôde estruturar a rádio, contando com recursos de emendas parlamentares para a aquisição de transmissores. Essa conquista foi fundamental para driblar os cortes no orçamento da instituição, garantindo a infraestrutura necessária para as transmissões em FM.

Desde 2019, a Rádio UFRJ já funcionava na internet, servindo como um importante laboratório para estudantes e pesquisadores. A obtenção da licença para operar em FM, em 2025, permitiu a instalação dos transmissores no Morro do Sumaré, localizado no Parque Nacional da Tijuca, viabilizando as transmissões experimentais que agora alcançam todo o Grande Rio.

Um Espaço de Pluralidade e Divulgação Científica

A Rádio UFRJ FM se propõe a ser um contraponto à radiodifusão comercial, que, segundo a professora de Comunicação Suzy dos Santos, é concentrada, manipulada pelo lucro e, por vezes, utilizada contra interesses sociais. Ela critica o uso de canais abertos para fins religiosos e eleitoreiros, destacando a importância imensurável da Rádio UFRJ para a construção de uma sociedade democrática e plural.

Para o estudante de jornalismo Davi Maia, a emissora será um espaço fundamental para a **música independente**. Ele ressalta a dificuldade de encontrar essa curadoria em rádios comerciais, que muitas vezes precisam de parcerias com gravadoras. Na Rádio UFRJ, a proposta é oferecer uma curadoria diferenciada, abrindo espaço para artistas emergentes e para a diversidade musical.

O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, enfatiza que o público-alvo da emissora são jovens e adultos. Em um cenário de intensa desinformação, a rádio surge como um veículo essencial para se conectar com a juventude e mantê-la informada. Ele alerta que a democracia não está garantida e que a juventude precisa estar alerta às ameaças, como a desinformação, assim como sua geração lutou pela democracia.

Construindo a Grade de Programação: Sociedade e Universidade em Diálogo

A Rádio UFRJ abriu uma seleção de programas por meio de edital para a construção de sua grade de programação em 2027. A chamada pública aceita propostas tanto da comunidade acadêmica quanto do público externo, desde que alinhadas aos princípios da emissora. O objetivo é integrar a sociedade à universidade e, mais do que falar, ouvir.

A ideia, conforme Marcelo Kischinhevsky, é promover a divulgação científica, tecnológica e cultural, além de construir uma agenda pública de debates para o estado do Rio de Janeiro. A Rádio UFRJ conta com um Conselho Curador formado por representantes de diversos setores da sociedade e integra a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), gerenciada pela EBC.

A professora Suzy dos Santos complementa, afirmando que a **Rádio UFRJ** tem uma importância imensurável no cenário atual, pois é feita para pensar uma sociedade democrática e plural, oferecendo uma voz importante para o debate público e a disseminação de conhecimento. A emissora promete ser um farol de informação e cultura no Grande Rio.

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