
Universidade de Brasília se prepara para receber o maior congresso de intelectuais negros do país, promovendo debate e avanço científico com foco em equidade racial.
A Universidade de Brasília (UnB) será palco de um evento de grande relevância para a comunidade acadêmica e para o debate sobre raça e justiça social no Brasil. O Congresso Nacional de Pesquisadores Negros (Copene) reunirá milhares de participantes, consolidando-se como o maior encontro de intelectuais, acadêmicos e estudiosos negros brasileiros, além de convidados de outros países da América Latina.
O evento, organizado em conjunto pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UnB (NEAB/UnB), pela Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN) e pelo Consórcio Nacional de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (CONNEABS), tem como objetivo principal ser um espaço estratégico para a **divulgação da produção científica**, o **fortalecimento de redes de pesquisa** e a **valorização dos saberes afrodiaspóricos**.
Conforme informações divulgadas pelos organizadores, o Copene também visa a formulação de propostas concretas voltadas à promoção da equidade racial e da justiça social. A programação detalhada prevê a realização de minicursos, oficinas, painéis e mesas redondas, além do lançamento de dezenas de livros, enriquecendo ainda mais o intercâmbio de conhecimento.
UnB: Pioneira em Acesso e Referência em Estudos Afro-Brasileiros
A escolha da UnB como sede do Copene não é por acaso. A instituição é reconhecida nacionalmente por ser pioneira na adoção de um programa de acesso acadêmico por meio de cotas raciais, implementado em 2003. Essa iniciativa abriu portas para milhares de estudantes negros e, hoje, reflete-se na presença de políticas afirmativas em todas as 69 universidades federais do país, conforme estabelecido pela Lei de Cotas (Lei 12.711/2012).
Políticas Afirmativas Impulsionam Acesso de Negros ao Ensino Superior
Os dados do Censo Populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 2000 e 2022 revelam um crescimento significativo no número de pessoas negras (pretas e pardas) com curso superior no Brasil, impulsionado pelas políticas afirmativas. A proporção de pessoas pardas com graduação subiu de 2,4% para 12,3%, e a de pessoas pretas, de 2,1% para 11,7%.
Apesar do avanço expressivo, as proporções ainda são inferiores à de pessoas brancas com ensino superior, que representa 25,3%. No campo da pesquisa, o aumento também é notável: o percentual de doutores negros liderando grupos certificados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) saltou de 8,1% para 22,6% no mesmo período. Contudo, é importante ressaltar que pessoas pretas e pardas compõem 55,5% da população total brasileira, indicando que ainda há um caminho a percorrer para a plena representatividade.
Copene: Um Espaço Vital para a Ciência Negra e a Transformação Social
O encontro na UnB representa um marco para a **comunidade científica negra**, oferecendo um palco para a discussão de temas cruciais e a articulação de estratégias para o enfrentamento do racismo estrutural. A expectativa é que o Copene gere novas pesquisas, fortaleça laços e inspire ações concretas para a construção de um Brasil mais justo e equitativo.
A diversidade de participantes e a amplitude da programação garantem que o evento seja um catalisador para o avanço do conhecimento produzido por e para a população negra, consolidando a importância de espaços como este para o desenvolvimento científico e a promoção de direitos.






