MPPB oferece SEGUNDA denúncia contra delegado e policiais por tráfico de drogas e desvio em operação histórica na PB

MPPB denuncia novamente delegado e policiais por tráfico de drogas e desvio na Paraíba

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) apresentou nesta segunda-feira, 3 de junho, uma segunda denúncia contra o delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito. Os três policiais foram presos na Operação Perfí dus, que apura um suposto esquema de desvio de drogas, tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico no estado.

A nova acusação, apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-PB), também inclui outros quatro investigados, que o MPPB aponta como integrantes do esquema criminoso. A investigação busca desarticular uma rede que utilizaria a estrutura estatal para facilitar atividades ilícitas.

Conforme informações divulgadas pelo MPPB, além das condenações pelos crimes apontados na nova denúncia, o órgão requereu a perda definitiva dos cargos públicos dos três policiais. Adicionalmente, foi solicitado o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos, argumentando que as condutas investigadas causaram prejuízos à moralidade administrativa, à segurança pública e à ordem social.

Novos Denunciados e Pedidos de Confisco

Além de Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge, foram denunciados José Alexandrino de Lira Júnior, conhecido como “Júnior Lira”, “JL” ou “Professor”; João Wicttor Alves de Lima, o “Vitor”; Brendo Roberth Fernandes Sobral, conhecido como “Breno”; e Paulo Ricardo Barbosa de Souza, o “Galinha”.

O Ministério Público também pediu o confisco de veículos, ativos financeiros e outros bens apreendidos ou bloqueados durante a investigação. A medida visa atingir o patrimônio que teria sido obtido de forma ilícita pela organização investigada. Esta é a segunda denúncia apresentada contra os policiais no âmbito da Operação Perfí dus.

Primeira Denúncia e Detalhes da Investigação

Na primeira acusação, Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge foram denunciados por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. Essa denúncia trata especificamente de fatos relacionados ao suposto desvio de drogas durante uma ação policial em outubro de 2025.

De acordo com a acusação, os policiais teriam recebido informações sobre locais de armazenamento de drogas, realizado incursões nesses imóveis e desviado parte dos entorpecentes. Posteriormente, apenas uma quantidade menor teria sido registrada oficialmente como apreendida. O MPPB fundamenta suas acusações em análises de celulares, dados de geolocalização de viaturas, quebra de sigilos telemático, bancário e fiscal, monitoramento, documentos e depoimentos.

Operação Perfí dus e Prisões

A Operação Perfí dus investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.

Entre os presos está Everton Rychelyson da Silva Aires, o “Bomba” ou “Bombado”, apontado como um dos operadores centrais do esquema, atuando na ligação entre policiais e traficantes. O agente Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”, também é suspeito de participar de subtrações de drogas, monitorando carregamentos e escondendo entorpecentes em sua residência.

Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge permanecem presos no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa. A Polícia Civil já havia concluído um inquérito e indiciado os três. Vanessa Dantas Fernandes, investigada por movimentação financeira do esquema, recebeu prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica e proibição de contato com outros investigados.

Defesas e Próximos Passos

As defesas de Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge informaram que não obtiveram retorno até a última atualização da reportagem. As defesas dos demais denunciados também não foram localizadas. As acusações apresentadas pelo Ministério Público serão analisadas pela Justiça, e os denunciados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

O delegado Braz Morroni atua na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa, e possui mais de 20 anos de carreira na Polícia Civil, com passagens por unidades como a Delegacia de Repressão a Entorpecentes. O nome da operação, Perfí dus, faz referência a “traição” ou “deslealdade”, em alusão à conduta atribuída aos investigados.

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