Ensino Integral Acelera Aprendizado de Jovens Vulneráveis: Estudo Revela Ganho de Até 70% no Desempenho Escolar

Ensino integral impulsiona aprendizado de estudantes vulneráveis, mostrando ganhos significativos em desempenho escolar.

Resultados recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) 2025 revelam um cenário promissor para o ensino em tempo integral no Brasil. Uma análise inédita realizada pelo Instituto Sonho Grande e pelo Instituto Natura demonstra que escolas que oferecem jornada ampliada apresentam um desempenho superior, especialmente para alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica e racial.

A pesquisa cruzou dados do Ideb 2025 com o Indicador de Nível Socioeconômico (INSE) dos estudantes, evidenciando que, entre as 100 escolas de menor nível socioeconômico com melhor desempenho, 77 funcionam em formato 100% integral. Isso sugere que o investimento em tempo integral pode ser um fator decisivo para a redução da desigualdade educacional no país.

Esses achados reforçam a importância de políticas públicas voltadas para a expansão do ensino integral como ferramenta estratégica para garantir oportunidades de aprendizado mais equitativas a todos os estudantes brasileiros, independentemente de sua origem socioeconômica ou raça. Conforme informação divulgada pelo Instituto Natura Brasil, a política do ensino integral leva mais oportunidades de aprendizagem a quem mais precisa.

Ensino integral beneficia estudantes de baixa renda e acelera aprendizado

A análise detalhada indica que o maior ganho do tempo integral é direcionado aos estudantes mais vulneráveis. As escolas 100% integrais com menor nível socioeconômico (níveis II e III) apresentaram uma vantagem de 0,6 ponto no Ideb em relação às escolas parciais do mesmo nível, o que representa um desempenho 15% maior.

Quando comparado o ganho no Ideb com a jornada ampliada entre escolas de diferentes níveis socioeconômicos, o impacto nas unidades mais vulneráveis é quase 70% superior ao registrado nas unidades de contextos menos vulneráveis. Maria Slemenson, superintendente de Políticas Educacionais do Instituto Natura, destaca que o ensino médio integral prova que, quando a política é priorizada e bem implementada, o resultado de aprendizagem se descola da renda familiar e da capacidade fiscal do estado.

Impactos no SAEB 2025: Anos extras de aprendizado em matemática e português

Os resultados do SAEB 2025 também refletem os benefícios do ensino integral. Em matemática, alunos de escolas 100% integrais de baixo nível socioeconômico obtiveram 23 pontos a mais em relação aos estudantes do ensino parcial. Essa diferença equivale a aproximadamente 4,6 anos a mais de aprendizado.

O tempo estendido permite a recomposição de aprendizagens defasadas, neutralizando gargalos. Maria Slemenson explica que o tempo extra é usado para avançar no conteúdo da série e, simultaneamente, recuperar o que ficou para trás, algo difícil em escolas com jornada parcial.

Na língua portuguesa, o ganho foi de 21 pontos no SAEB 2025, o que representa uma aceleração de 3,2 anos de escolarização adicional para os jovens em situação de maior vulnerabilidade. Esse salto em leitura e escrita está conectado ao tempo maior na escola, à maior proximidade com o corpo docente e ao projeto de vida dos estudantes.

Inclusão racial e equidade: Tempo integral promove igualdade

Os dados também revelam que a vantagem do ensino integral é maior em escolas com predominância de alunos pretos, pardos ou indígenas (PPIs). Cerca de 74% das escolas 100% integrais no Brasil atendem majoritariamente estudantes PPIs.

Nas instituições onde estudantes PPIs representam mais de 80% do corpo discente, a nota média do Ideb alcança 4,9 no formato 100% integral, contra 4,3 no ensino parcial, um avanço de 0,6 ponto. O Instituto Natura Brasil aponta que a expansão do tempo integral contribui para diminuir as disparidades de desempenho relacionadas à cor e à raça.

Maria Slemenson celebra que o tempo integral tem um efeito equalizador racial, além do socioeconômico, comprovado por dados concretos. A política de tempo integral já está, em grande parte, a serviço de quem mais precisa dela.

O segredo do sucesso: Uso estratégico do tempo e pilares pedagógicos

O sucesso do ensino integral em grupos de baixa renda não se deve apenas ao aumento de horas na escola, mas sim à forma como esse tempo é utilizado. O eixo pedagógico se sustenta em pilares como a construção do projeto de vida, protagonismo juvenil, acolhimento socioemocional, aprendizado na prática e orientação de estudos.

Para alunos de baixa renda, que muitas vezes não têm suporte em casa, a escola de tempo integral oferece acompanhamento e segurança, pesando ainda mais positivamente nesse modelo. O Instituto Natura defende que o Ensino Médio Integral seja reconhecido como inegociável para o desenvolvimento do país.

Desafios e a prioridade política para a expansão do ensino integral

Embora as escolas 100% integrais somem 4.235 unidades no país (21% do total), o modelo de jornada parcial ainda concentra mais de 1 milhão de estudantes. O Instituto Natura avalia que a principal barreira para a transição do ensino parcial para o integral não é financeira, mas sim a falta de prioridade política e gestão governamental sustentada.

Estados com menor capacidade fiscal, quando tratam o tempo integral como prioridade, conseguem avançar tanto ou mais rápido que estados mais ricos. O Piauí é citado como referência nacional, sendo o único estado com 100% das escolas estaduais de ensino médio em tempo integral, provando que a universalização com qualidade é possível mesmo com menos recursos financeiros.

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