Vendas no Comércio Brasileiro Caem 0,8% em Julho Após “Ressaca” da Copa do Mundo, Indicando Desaceleração Econômica

Comércio varejista brasileiro desacelera e registra queda de 0,8% em julho, reflexo da “ressaca” pós-Copa do Mundo.

O comércio varejista brasileiro apresentou uma **retração de 0,8%** na passagem de junho para julho. Este resultado é, em parte, atribuído a um fenômeno de “ressaca” após a Copa do Mundo, que impulsionou o consumo em meses anteriores. A desaceleração já se reflete no desempenho acumulado do setor, que em 12 meses avançou apenas 1,6%.

A análise da média móvel trimestral, que busca suavizar flutuações e indicar a tendência real do mercado, aponta para uma variação negativa de 0,1%. Apesar disso, o acumulado do setor no ano de 2026 ainda mostra um avanço de 1,8%, e em 12 meses, a alta é de 1,2%. No entanto, esses números indicam uma clara desaceleração, considerando que em março o acumulado de 12 meses era de 2,3%.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fazem parte da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). Conforme o analista da pesquisa, Cristiano Santos, o patamar atual das vendas varejistas é equivalente ao de dezembro de 2025.

A pesquisa do IBGE revela que, das oito atividades pesquisadas, **cinco apresentaram retrações** significativas na comparação mensal. A maior queda foi observada no setor de móveis e eletrodomésticos, com recuo de 4,9%. Em seguida, vêm livros, jornais, revistas e papelaria (-4,2%), tecidos, vestuário e calçados (-2,7%), e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,2%).

O analista Cristiano Santos explica que a queda em setores como eletrodomésticos, vestuário e papelaria está diretamente ligada ao efeito da Copa do Mundo. A venda de itens como televisores e álbuns de figurinhas teve um pico nos meses que antecederam o evento, como maio. Isso elevou a base de comparação para julho, fazendo com que a queda parecesse mais acentuada.

“É como se as pessoas tivessem concentrado a capacidade de consumo desses produtos que têm a ver com a copa principalmente em maio”, exemplifica Santos. Ele reitera que “todo mundo que iria comprar uma televisão, aproveitou que teria Copa e comprou em maio”. Apesar da queda em julho, a venda de móveis e eletrodomésticos ainda registra um avanço de 3,9% em 12 meses.

Por outro lado, alguns setores apresentaram desempenho positivo em julho. Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria cresceram 0,6%, assim como equipamentos e material para escritório, informática e comunicação. Combustíveis e lubrificantes apresentaram alta de 0,3%. Já hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram uma leve retração de 0,2%.

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de atacado – como veículos, motos, partes e peças, material de construção, e produtos alimentícios, bebidas e fumo – o indicador mostrou um leve avanço de 0,4% de junho para julho. No acumulado de 12 meses, este segmento registra uma variação positiva de 1,2%.

A Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE é um dos três levantamentos conjunturais divulgados mensalmente. Recentemente, o instituto informou que o setor de serviços ficou estável em julho (0%) e apresentou alta de 2,4% em 12 meses. A indústria, por sua vez, cresceu 0,2% no mês e 0,6% em 12 meses, indicando um cenário de atividade econômica mista.

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