
Jovens com Deficiência Enfrentam Analfabetismo 12 Vezes Superior à Média Nacional
Uma triste realidade educacional foi revelada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (18). Os dados do Censo Demográfico de 2022 apontam que a taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência, na faixa etária de 15 a 29 anos, alcançou 12,2%. Este índice é assustadoramente 12 vezes maior do que o registrado entre jovens sem deficiência (1%) na mesma faixa etária, evidenciando um abismo significativo no acesso à educação básica.
A disparidade não se resume apenas a questões geracionais. A pesquisadora do IBGE, Luanda Botelho, destaca que, embora historicamente pessoas com deficiência apresentem taxas de analfabetismo mais elevadas, em parte pela maior concentração de idosos em gerações menos escolarizadas, a análise focada nos jovens demonstra que a desigualdade vai além. A pesquisa também aponta para a menor frequência escolar entre este público.
Esses números alarmantes sobre o analfabetismo em jovens com deficiência e a consequente exclusão educacional são um chamado urgente à ação. A seguir, detalhamos os tipos de deficiência mais afetados, as diferenças na frequência escolar e os desafios de acessibilidade nas escolas brasileiras, conforme divulgado pelo IBGE.
Analfabetismo por Tipo de Deficiência: Um Retrato Desigual
Os dados do Censo 2022 mostram que o analfabetismo entre jovens com deficiência é mais acentuado em grupos específicos. Aqueles com dificuldades associadas às funções mentais apresentam a taxa mais elevada, atingindo 40,4%. Outro grupo com índices preocupantes é o de pessoas com mais de um tipo de deficiência, onde o analfabetismo chega a 34%.
Mesmo os tipos de deficiência com as menores taxas de analfabetismo dentro do grupo de pessoas com deficiência ainda superam significativamente a média nacional. Por exemplo, pessoas com alguma dificuldade de enxergar, que registram 3,5% de analfabetismo, ainda assim apresentam uma taxa mais do que o triplo da observada entre jovens sem deficiência. As dificuldades de audição impactam 10% dos jovens com deficiência, enquanto dificuldades de locomoção (caminhar ou subir escadas) e de manipulação (pegar objetos pequenos) afetam 23,3% e 31,3%, respectivamente.
Frequência Escolar Menor e Barreiras de Acessibilidade
A defasagem educacional se reflete também na frequência escolar. Jovens com deficiência de 6 a 14 anos frequentam a escola em 92,6% dos casos, e aqueles entre 15 e 17 anos, em 79,5%. Ambos os índices são inferiores aos registrados por pessoas sem deficiência, que são de 98,4% e 85,4%, respectivamente.
O cenário é ainda mais crítico para pessoas com deficiência profunda, que enfrentam barreiras severas para a inclusão escolar. Neste grupo, a frequência escolar para crianças de 6 a 14 anos é de 82,3%, e para jovens de 15 a 17 anos, cai para 65,6%. A falta de acessibilidade nas escolas, conforme dados do Censo Escolar 2025, agrava este quadro. Apenas 57% das escolas possuem banheiros acessíveis, 30% contam com sala de recursos multifuncionais e somente 26,2% dispõem de um profissional de apoio.
A rede pública, embora com maior percentual de escolas com profissional de apoio (32,8% contra 4,6% na rede privada) e salas de recursos multifuncionais (34,5% contra 15,2% nas privadas), ainda apresenta desafios na oferta de banheiros acessíveis (54,8% contra 64,4% na rede privada). Escolas com pelo menos um desses recursos representam 78,5% do total.
Ensino Superior: Um Avanço Lento, Impulsionado pelo EAD
Apesar dos desafios na educação básica, o ensino superior tem registrado um aumento na participação de pessoas com deficiência. Entre 2014 e 2024, o número de alunos com deficiência em cursos de graduação quase triplicou, passando de 33.377 para 95.572. A participação destes estudantes no total de alunos de graduação subiu de 0,43% para 0,93%.
Este crescimento foi significativamente impulsionado pelos cursos de graduação a distância. Enquanto as matrículas em cursos presenciais quase duplicaram (de 26.637 para 50.609), o número de estudantes em cursos EAD cresceu mais de seis vezes (de 6.740 para 44.963), indicando uma alternativa para superar barreiras de acesso físico e locomoção.
Esses dados, divulgados pelo IBGE, reforçam a necessidade de políticas públicas eficazes para garantir o acesso universal e a permanência de pessoas com deficiência em todos os níveis de ensino, combatendo o alarmante índice de analfabetismo entre jovens com deficiência e promovendo uma educação verdadeiramente inclusiva.




