
Presidente da Câmara utiliza entrega de obras e articulação com governo federal para fortalecer domínio territorial no sertão paraibano
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), tem centrado sua atuação eleitoral na Paraíba em uma estratégia focada em entregas locais e em uma aliança pragmática com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme reportagem da Folha, o parlamentar utiliza o prestígio das emendas e a relação com o Palácio do Planalto para impulsionar a candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado e ampliar a base de apoio do Republicanos no estado.
Em comícios realizados no sertão, Motta evita pautas legislativas densas, priorizando temas como a construção de hospitais, asfaltamento de ruas e obras de infraestrutura hídrica. A gestão dessas demandas é, segundo o próprio deputado, o principal ativo político na região.
“Não vou dizer que as outras coisas não interessam, mas isso é o que mais interessa à população, o que mais é cobrado da gente. O deputado federal, na nossa realidade aqui, ele sobrevive politicamente das entregas que faz, que melhoram a vida das pessoas”
A proximidade com Lula representa uma mudança significativa de postura em relação a 2025, quando a relação entre o deputado e o governo petista enfrentou atritos, como na disputa sobre o aumento do IOF e na tramitação de pautas de segurança pública. Atualmente, a estratégia visa maximizar votos em um reduto onde Lula obteve 66,6% da preferência em 2022.
Rede de influências e o uso das emendas
A força política de Motta consolidou-se através do comando estadual do Republicanos, que saltou de um para 50 prefeitos sob sua gestão. A rede de apoio é alimentada pela capacidade de viabilizar recursos federais, prática que gerou, inclusive, questionamentos na Justiça Eleitoral por parte de adversários políticos.
Apesar da aliança de conveniência, o cenário futuro aponta para possíveis novos embates entre Motta e o governo federal. Lula defende, em sua campanha, a redução do volume de emendas parlamentares, um ponto que coloca o presidente da Câmara em rota de colisão direta com as propostas do Planalto após o pleito.




