Superávit da Balança Comercial Brasileira Dispara em Setembro Impulsionado por Petróleo e Soja: Entenda os Números

Balança Comercial Brasileira Registra Forte Superávit em Setembro, Superando Expectativas com Vendas Externas em Alta

A balança comercial brasileira apresentou um desempenho notável em setembro, registrando um superávit de US$ 7,74 bilhões. Esse resultado representa mais que o dobro do superávit alcançado no mesmo mês do ano anterior, quando o saldo foi de US$ 3,14 bilhões, conforme dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O expressivo aumento do superávit em setembro foi impulsionado principalmente pelo **crescimento das exportações**, que avançaram 12,9% no período. Esse desempenho consolidou o mês como o segundo melhor para setembro na série histórica, perdendo apenas para o resultado de setembro de 2023, que foi de US$ 9,18 bilhões.

A corrente de comércio, que é a soma das exportações e importações, atingiu US$ 61,09 bilhões. Este valor marca o maior patamar já registrado para meses de setembro na série histórica e o segundo maior para todos os meses, evidenciando a força do comércio exterior brasileiro recente.

Setores Chave Impulsionam Exportações Brasileiras

O avanço das vendas externas foi liderado de forma expressiva pela indústria extrativa, seguida pela indústria de transformação e pelo agronegócio. A indústria extrativa, em particular, registrou um crescimento impressionante de 39,8% em suas exportações em comparação com setembro de 2025, somando US$ 9,44 bilhões.

Dentro da indústria extrativa, o petróleo bruto e o minério de cobre se destacaram com altas expressivas de 77,3% e 74,2%, respectivamente. O aumento da produção de petróleo e a valorização de seus preços no mercado internacional, em parte devido ao agravamento da crise no Oriente Médio, foram fatores determinantes para esse resultado.

Já a indústria de transformação contribuiu com US$ 17,67 bilhões em exportações, um aumento de 5,3%. Produtos como farelos de soja e combustíveis apresentaram elevações significativas de 47,7% e 39,1%, respectivamente. O agronegócio também teve sua participação, com exportações de US$ 7 bilhões, impulsionado pela soja e pelo café não torrado.

Comércio com o Exterior em Alta, Apesar de Queda nas Importações

As importações brasileiras, por outro lado, apresentaram um leve recuo de 2,4% em setembro. Essa retração foi observada principalmente em bens de capital e bens intermediários, que totalizaram US$ 4,1 bilhões e US$ 14,9 bilhões, respectivamente. A desaceleração econômica, influenciada pelos juros elevados, parece ter impactado os investimentos industriais em novas máquinas.

No entanto, as importações de combustíveis registraram um aumento expressivo de 41,2%, impulsionado pela alta de 58,2% no preço. Por outro lado, os bens de consumo tiveram um aumento de 11,5% nas importações.

Projeções para o Final do Ano Apontam para Superávit Histórico

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, a balança comercial brasileira já acumula um superávit de US$ 62,4 bilhões. As exportações no período cresceram 10,4%, enquanto as importações aumentaram 5%, resultando em um saldo comercial 34,8% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior.

Apesar do forte desempenho, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) revisou para baixo sua projeção de superávit para todo o ano de 2026, de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. Mesmo com a revisão, o resultado projetado ainda seria o segundo maior desde o início da série histórica em 1989, superado apenas pelo superávit de 2023, que atingiu US$ 98,8 bilhões.

As projeções de exportações foram ajustadas de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões, e as de importações de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões. As estimativas do governo se mostram mais otimistas que as de instituições financeiras, que, segundo o Boletim Focus do Banco Central, preveem um superávit comercial de US$ 78,3 bilhões para o ano.

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