Por meio do convênio entre a Secretaria de Estado da Saúde e o Hospital Napoleão Laureano, a cirurgia robótica oncológica 100% SUS garante acesso ao sistema Da Vinci XI para pacientes regulados

Nessa sexta-feira (14), a Paraíba registrou um marco na assistência oncológica pública com a realização da primeira cirurgia robótica oncológica 100% SUS no Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa. O procedimento, uma prostatectomia radical, foi feito com o sistema robótico Da Vinci XI, tecnologia que até então estava majoritariamente disponível na rede privada.

O paciente, residente de Campina Grande, passou por todo o fluxo de exames, avaliação oncológica e indicação cirúrgica dentro dos programas estaduais, até a definição da cirurgia robótica como a abordagem mais adequada. O convênio entre a Secretaria de Estado da Saúde e o Hospital Laureano viabilizou que essa tecnologia de alta precisão fosse incorporada ao cuidado público, beneficiando usuários regulados pelo SUS.

O procedimento e a tecnologia

A prostatectomia radical realizada com o apoio do sistema Da Vinci XI é um procedimento minimamente invasivo, que oferece maior precisão cirúrgica, menor trauma operatório e recuperação mais rápida. O cirurgião responsável pelo procedimento foi o médico Fábio Martinez, que conduziu a operação com a plataforma robótica.

Segundo os dados do serviço, a cirurgia robótica pode reduzir em até 83% a necessidade de transfusões sanguíneas, além de diminuir complicações e acelerar a recuperação dos pacientes, com melhores resultados funcionais, incluindo preservação de continência e função sexual. Esses benefícios reforçam a escolha da técnica para casos oncológicos que exigem maior precisão.

Sobre a conquista, o diretor de Regulação do Estado, Lucas Lima, afirmou: “A Secretaria de Estado da Saúde dá hoje um passo importante com a realização da primeira cirurgia robótica oncológica 100% SUS no Hospital Laureano. A partir deste convênio, essa tecnologia passa a fazer parte do cuidado público e vai beneficiar pacientes de diversas regiões do estado dentro dos programas Opera Paraíba e Paraíba Contra o Câncer”.

Impacto para pacientes e relatos

O convênio permite ao Laureano ampliar a assistência em oncologia cirúrgica e incorporar definitivamente a tecnologia robótica ao cuidado dos pacientes regulados. O diretor-presidente do hospital, Marcelo Lucena, destacou o alcance social da iniciativa, dizendo: “Estamos comemorando a possibilidade de oferecer cirurgia robótica aos pacientes mais humildes da Paraíba. Esta primeira prostatectomia robótica oncológica está sendo custeada pelo convênio firmado com o Governo da Paraíba, trazendo para o SUS o que há de mais moderno no tratamento oncológico. É um avanço que fortalece o cuidado e abre novas possibilidades para os nossos pacientes”.

Ao longo de todo o processo até a cirurgia, a família recebeu suporte contínuo das equipes da rede estadual. A esposa do paciente, a enfermeira aposentada Ivete Macêdo, relatou a rapidez e o acolhimento recebido: “Nós jamais teríamos condições de pagar uma cirurgia dessas, nem a convencional. Quando meu marido chegou ao Trauma, o Opera Paraíba entrou em contato, explicou tudo e encaminhou para os exames. Depois veio o Paraíba Contra o Câncer, tudo muito rápido e organizado. Hoje, ele está sendo operado com o que há de melhor, e isso traz uma tranquilidade que a gente nem imaginava ter depois do diagnóstico. Sou muito grata, porque isso muda não só o tratamento dele, mas a nossa esperança”.

Expansão da alta complexidade e investimentos

A implantação da cirurgia robótica oncológica via SUS integra o movimento de expansão da alta complexidade na Paraíba. O programa Opera Paraíba, que regula e desloca pacientes para procedimentos de média e alta complexidade, “ultrapassou 215 mil cirurgias desde 2019”. Paralelamente, o programa Paraíba Contra o Câncer “soma mais de R$ 30 milhões em investimentos em tecnologia e infraestrutura, incluindo acelerador linear, radioterapia modernizada e diagnóstico avançado”.

O convênio fortalece não só a oferta de procedimentos cirúrgicos de alta complexidade, como também o atendimento ambulatorial oncológico regulado, ampliando o acesso a procedimentos seguros, modernos e resolutivos para a população. Com a incorporação do Da Vinci XI ao serviço público, a expectativa é de que mais pacientes regulados pelo SUS em diversas regiões do estado tenham acesso contínuo à cirurgia robótica, reduzindo desigualdades no tratamento oncológico.

O caso ocorrido no Hospital Napoleão Laureano marca o início de uma nova etapa na assistência oncológica pública da Paraíba, ao trazer para o SUS tecnologia avançada que melhora resultados clínicos, reduz tempo de recuperação e amplia a qualidade do cuidado para pacientes do sistema público de saúde.

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