Dólar despenca para R$ 4,95, menor patamar em 2 anos, impulsionado por juros altos e cenário externo favorável

Dólar atinge menor valor em mais de dois anos com juros altos e otimismo no mercado

O mercado financeiro brasileiro celebrou o fim de abril com uma **forte valorização do real frente ao dólar**, que fechou a sessão desta quinta-feira (30) cotado a R$ 4,952. Essa cotação representa o menor nível desde 7 de março de 2024, marcando um período de **euforia no cenário econômico nacional**.

O movimento positivo foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo um cenário externo mais favorável, que aumentou o apetite global por risco, e o comunicado considerado duro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Esses elementos culminaram em uma entrada significativa de capital estrangeiro, com investidores vendendo dólares e direcionando recursos para ativos brasileiros, como ações.

A desvalorização acumulada do dólar em abril foi de 4,38% em relação ao real, e no ano, a queda já soma 9,77%. Esse desempenho coloca o **real entre as moedas com melhor desempenho global no período**, refletindo tanto a perda de força do dólar em mercados internacionais quanto o atrativo dos juros elevados no Brasil. Conforme informação divulgada pelo g1, essa combinação de fatores tem sido crucial para a valorização da moeda brasileira.

Juros altos e cautela do Banco Central sustentam o real

Apesar do início de um ciclo de cortes na taxa Selic, a **taxa básica de juros brasileira permanece em patamar elevado**. Na quarta-feira (29), o Banco Central reduziu a Selic para 14,50% ao ano, mas sinalizou cautela quanto aos próximos passos, citando riscos inflacionários. Essa postura do Banco Central, aliada à manutenção das taxas de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (entre 3,50% e 3,75%), amplia o diferencial de taxas entre os dois países.

Esse diferencial é um dos **principais fatores que sustentam a valorização do real**, tornando o Brasil um destino mais atraente para investidores em busca de rendimento. A menor cotação do dólar em mais de dois anos é um reflexo direto dessa dinâmica, que favorece a entrada de investimentos estrangeiros e fortalece a economia local.

Ibovespa se recupera com fluxo de capital estrangeiro

O mercado de ações também apresentou uma **recuperação expressiva nesta quinta-feira (30)**. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, fechou o pregão aos 187.318 pontos, registrando uma alta de 1,39%. Esse ganho foi impulsionado tanto pelo fluxo de capital estrangeiro quanto pela reavaliação das expectativas em relação à política monetária.

A indicação de cortes mais graduais na Selic aumenta a percepção de **estabilidade econômica**, cenário que tende a favorecer o mercado de ações. Apesar da alta do dia, o Ibovespa terminou o mês praticamente estável, após uma sequência recente de quedas que haviam reduzido parte dos ganhos anteriores. Dados do mercado de trabalho indicaram resiliência da economia, reforçando a visão de que há menos espaço para cortes agressivos de juros no curto prazo.

Petróleo volátil com tensões geopolíticas no Oriente Médio

O comportamento dos preços do petróleo continuou sendo um fator de atenção para os mercados globais. A commodity registrou **forte volatilidade durante o dia**, influenciada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Os preços do barril chegaram a subir significativamente, superando os US$ 120, mas perderam força ao longo da sessão.

O barril do tipo Brent, referência para a Petrobras, encerrou o dia em US$ 110,40, praticamente estável. Já o barril WTI, utilizado nas negociações nos Estados Unidos, fechou em US$ 105,07, com queda de 1,69%. As oscilações refletem incertezas sobre o fornecimento global, especialmente diante das **tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel**, além das restrições no Estreito de Hormuz. Mesmo com recuos pontuais, os preços do petróleo permanecem elevados, exercendo pressão sobre a inflação global e influenciando as decisões de política monetária.

Euro comercial também registra queda significativa

Em linha com a valorização do real, o **euro comercial também teve um forte recuo nesta quinta-feira**, fechando cotado a R$ 5,811, com uma queda de 0,48%. Essa cotação representa o valor mais baixo para a divisa europeia desde 24 de junho de 2024, reforçando o movimento de fortalecimento das moedas estrangeiras em relação ao dólar no mercado brasileiro.

Deixe uma resposta