
Brasil alcança pico inédito na produção de petróleo em março, impulsionado pela demanda global em cenário de instabilidade no Irã
Em um momento de acentuada tensão geopolítica no Oriente Médio, com a guerra no Irã impactando a oferta global de petróleo, o Brasil registrou um feito notável. Em março, o país atingiu um recorde histórico na produção de petróleo e gás, demonstrando resiliência e capacidade de resposta às dinâmicas internacionais.
Este marco produtivo coincide com o início do conflito desencadeado por ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, período em que a oferta mundial de energia enfrenta desafios significativos. O cenário global de incertezas parece ter impulsionado a produção brasileira, quebrando recordes anteriores.
Os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) evidenciam o desempenho excepcional do setor. O volume total de produção, que inclui tanto o petróleo quanto o gás natural, consolidou o Brasil como um player cada vez mais relevante no mercado energético mundial, especialmente em um contexto de “choque do petróleo”.
Produção total e a unidade “boe”
Em março, o Brasil produziu um total de 5,531 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Este valor supera o recorde anterior de fevereiro, que foi de 5,304 milhões de boe/d. A unidade “boe” é fundamental para unificar a medição, convertendo o gás natural ao valor energético equivalente a um barril de petróleo bruto, permitindo a soma das produções.
Desempenho separado do petróleo e gás natural
Analisando os componentes separadamente, a extração de petróleo bruto em março alcançou 4,247 milhões de barris por dia, um acréscimo de 4,6% em relação a fevereiro e de 17,3% comparado a março de 2023. Já a produção de gás natural atingiu 204,11 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), registrando uma expansão de 3,3% em relação ao mês anterior e de 23,3% ante março do ano passado.
O protagonismo do pré-sal e campos recordistas
O boletim mensal da ANP destaca ainda que a produção de óleo cru e gás no pré-sal estabeleceu um novo recorde, somando 4,421 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Esse volume representa um aumento de 3,6% em relação a fevereiro e 19% em comparação com o mesmo mês de 2023. O pré-sal, localizado a cerca de 2 mil metros de profundidade, é responsável por 79,9% da produção brasileira.
O campo de Búzios, na Bacia de Santos, lidera a produção de petróleo com 886,43 mil barris diários. Já o campo de Mero, também no pré-sal de Santos, é o maior produtor de gás natural, com 42,06 milhões de m³/d. A Petrobras, operando sozinha ou em consórcio, foi responsável por 88,23% da produção nacional no período, com a plataforma Almirante Tamandaré em Búzios sendo a maior contribuinte individual.
Reforço na produção e impacto do conflito no Irã
Para maio, o Brasil conta com um reforço na produção com o início das operações da plataforma P-79 em Búzios, antecipado em três meses. A nova unidade tem capacidade para produzir 180 mil barris de óleo e comprimir 7,2 milhões de m³ de gás diariamente. A Petrobras tem buscado aumentar a produção para mitigar a dependência do mercado externo, especialmente após as interrupções no transporte de óleo no Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% da produção mundial.
O conflito no Oriente Médio e o consequente bloqueio de rotas marítimas levaram a uma escalada nos preços do barril de Brent, que saltou de aproximadamente US$ 70 para US$ 114 nos últimos dois meses. Como o petróleo é uma commodity negociada internacionalmente, a escassez global impacta diretamente os preços em países produtores como o Brasil. O governo brasileiro tem adotado medidas como isenção de impostos e subsídios para conter o aumento dos preços dos derivados.



