USP: Estudantes Ocupam Reitoria Exigindo Diálogo e Reabertura de Negociações Após Cortes em Auxílios e Precarização

Estudantes da USP mantêm ocupação da reitoria e pedem reabertura de diálogo

Alunos da Universidade de São Paulo (USP) seguem com a ocupação da reitoria da instituição, iniciada na última quinta-feira (7). A principal demanda é a **reabertura do diálogo** com o reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado, pois, segundo os estudantes, as negociações em andamento foram encerradas de forma unilateral pela reitoria nesta semana, sem atender a diversas reivindicações.

A ocupação surge como resposta à **extrema precarização das condições de inclusão e permanência** na universidade. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP destacou que entre as principais bandeiras levantadas estão o **aumento do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE)**, além de melhorias significativas nas moradias estudantis e nos restaurantes universitários, os populares bandejões.

Conforme informações divulgadas pelo DCE, o Conjunto Residencial da USP (CRUSP) enfrenta uma **situação insalubre**, com relatos de falta de água e proliferação de mofo nos apartamentos. Essa precariedade nas moradias agrava a dificuldade de permanência dos estudantes na universidade.

A insegurança alimentar também é um ponto crítico, com problemas recorrentes nos bandejões. Estudantes relatam o fornecimento de **comida estragada e até mesmo refeições contendo larvas**, o que intensifica a revolta e a insatisfação da comunidade acadêmica.

Proposta de Aumento Insuficiente Gera Mais Insatisfação

Guilherme Farpa, estudante de Jornalismo e membro do DCE, informou que uma proposta recente do reitor para um aumento de R$ 27 no PAPFE foi considerada **extremamente insuficiente**. Para quem recebe o valor integral do auxílio, o aumento seria de R$ 27, e para quem recebe o valor parcial, apenas R$ 5. Atualmente, o valor integral é de R$ 885 e o parcial de R$ 320.

Farpa ressaltou que esses valores são **insuficientes para a sobrevivência** nas regiões onde os campi da USP estão localizados, como o Butantã. A dificuldade em arcar com os custos básicos de vida impacta diretamente o desempenho acadêmico e a permanência dos estudantes na universidade.

Orçamento da USP e Bonificações são Questionados

Os estudantes argumentam que a USP possui um orçamento previsto de cerca de R$ 9 bilhões para 2026. Eles questionam a alocação de recursos, especialmente após a aprovação de uma **bonificação de R$ 240 milhões para professores** em março deste ano. A dúvida levantada é: se há verba para gratificações de professores, por que não há para as demandas estudantis?

A paralisação só será encerrada quando a reitoria concordar em **reabrir as negociações**. Os alunos clamam por serem ouvidos, destacando a diferença entre a realidade vivida pelos estudantes e a perspectiva da gestão universitária e do corpo docente.

Reitoria Lamenta Ocupação e Fala em Avanços nas Negociações

Em resposta à ocupação, a reitoria da USP emitiu uma nota lamentando a **escalada de violência** que resultou na invasão do prédio principal e em danos ao patrimônio público. A instituição afirmou que acionou as forças de segurança pública para evitar a ocupação de outros espaços e prevenir maiores danos.

A reitoria também mencionou que, antes da ocupação, foram realizadas reuniões com representantes estudantis a partir de 14 de abril, totalizando cerca de 20 horas de diálogo. Segundo a nota, **diversos avanços foram alcançados** em benefício dos estudantes de todos os campi, priorizando o bem-estar da comunidade acadêmica.

Deixe uma resposta