Policiais federais em uma seção eleitoral na Paraíba durante as eleições de 2026.

Facções e polarização levam juízes a pedir tropas federais em três cidades da Paraíba para garantir eleições seguras

Juízes eleitorais da Paraíba solicitaram Forças Armadas para Itabaiana, Piancó e Bayeux devido a conflitos de facções e forte polarização política. Pedidos visam garantir a segurança e a normalidade do pleito eleitoral.

Cenário de instabilidade e disputa política força acionamento de tropas federais em três municípios paraibanos em eleições de 2026

A segurança das Eleições de 2026 em três cidades paraibanas ganhará reforço das Forças Armadas. Juízes eleitorais de Itabaiana, Piancó e Bayeux solicitaram o apoio de tropas federais, conforme despacho emitido pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, nesta sexta-feira (08). As solicitações visam garantir a votação e a apuração dos votos em meio a confrontos entre facções criminosas e intensa polarização política.

Em Itabaiana, a 6ª Zona Eleitoral descreveu um cenário de conflitos armados entre facções rivais, comparado a uma “guerrilha urbana e rural”. A preocupação é com a coação eleitoral sobre aproximadamente 19 mil eleitores. Já em Piancó, a 32ª Zona Eleitoral apontou uma “grave polarização política” e um histórico de animosidade, com menção à prisão de uma liderança política sob suspeita de planejar um atentado contra um opositor.

Bayeux, por sua vez, teve seu pedido justificado pela 61ª Zona Eleitoral com base em confrontos de facções e relatos de expulsão de moradores em áreas com seções eleitorais. Essa situação, segundo o magistrado responsável, compromete o livre acesso dos eleitores e a segurança dos trabalhos eleitorais.

Ainda segundo o despacho do presidente do TRE-PB, as demais 65 zonas eleitorais do estado não demandaram reforço federal. Dessas, 34 comunicaram formalmente que as forças estaduais, Polícia Militar e Polícia Civil, são consideradas suficientes para assegurar a normalidade do pleito. Os 31 juízes restantes não se manifestaram dentro do prazo estipulado, sendo considerados como não necessitantes de auxílio extraordinário.

A cidade de Cabedelo, na região metropolitana, serviu de exemplo sobre a atuação de facções criminosas em processos eleitorais. O município enfrentou eleições suplementares em 12 de abril deste ano, após a cassação do prefeito eleito em 2024, com indícios de contaminação do pleito por grupos criminosos. Uma reportagem programada para o Fantástico neste domingo (10) deve abordar a relação entre o crime e o poder público na cidade. Contudo, até o momento, não há pedido de tropas federais para o município em 2026.

Os pedidos apresentados serão agora autuados individualmente e submetidos à análise. Antes de serem encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão responsável pela autorização final, os requerimentos precisam ser avaliados pelo governador Lucas Ribeiro (PP).

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