Equipe da Defesa Civil inspeciona elevador interditado em condomínio de João Pessoa após acidente.

Tragédia em João Pessoa: 11 elevadores interditados após mulher ficar paraplégica em queda de unidade

Defesa Civil interdita 11 elevadores em condomínio de João Pessoa após acidente que deixou mulher paraplégica. Moradores protestam contra problemas recorrentes.

Defesa Civil interdita todos os elevadores de condomínio em João Pessoa após grave acidente que resultou em paraplegia de moradora

Onze elevadores de um condomínio residencial em João Pessoa foram interditados pela Defesa Civil Municipal. A medida, solicitada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (CREA-PB), ocorre após um grave acidente onde uma mulher ficou paraplégica ao cair com um dos elevadores. Segundo o coronel Kelson de Assis, coordenador da Defesa Civil Municipal, a interdição abrange todas as unidades do condomínio. A situação gerou um protesto de moradores em frente ao local na noite de quinta-feira (14), que relatam problemas recorrentes com os equipamentos.

O diagnóstico de paraplegia foi confirmado por meio de tomografia e outros exames realizados pelo setor de neurocirurgia do hospital onde a paciente está internada. O diretor do Trauma informou que, apesar de estrangeira e com solicitação de transferência para um hospital particular feita pela família, já há programação cirúrgica para estabilização da coluna, um procedimento essencial para casos de trauma medular.

A mulher, natural do Suriname e com família residente na Holanda, mudou-se para João Pessoa com seus dois filhos de três e cinco anos, trabalhando remotamente e buscando o clima da cidade. As crianças, ilesas, estão sob os cuidados de um vizinho. Moradores relatam que os problemas técnicos nos elevadores são registrados desde a entrega do empreendimento em setembro de 2023. Diante da ausência de solução definitiva, a administração do condomínio acionou a Justiça para solicitar a substituição dos equipamentos.

A construtora do condomínio, em nota, afirmou que a responsabilidade pela manutenção dos elevadores é do condomínio a partir do momento em que os moradores passam a utilizá-los regularmente. A empresa declarou ainda que se mantém à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A administração do condomínio, por sua vez, informou que a prioridade após o desabamento foi o atendimento à mulher e às duas crianças feridas, prestando apoio imediato às famílias.

Um laudo técnico, elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, já indicava a necessidade de substituição integral dos elevadores, apontando diversas inconformidades e riscos à segurança, incluindo problemas como ausência de sinalização de segurança, falta de extintor de incêndio, inexistência de iluminação de emergência e falhas no aterramento elétrico. O documento classificou a pendência com prioridade “alta”. O processo judicial movido pelo condomínio contra a construtora para resolver os “vícios estruturais” nos elevadores, que incluía denúncias de incêndio no fosso e falhas em sistemas de segurança, resultou em uma decisão judicial em janeiro de 2025 determinando a troca dos elevadores, decisão que a construtora recorreu e o processo segue em andamento.

O desabamento ocorreu no fim da tarde de quarta-feira (13), quando um elevador despencou do terceiro andar de um dos prédios. Moradores iniciaram o resgate antes da chegada do Samu e dos Bombeiros. A mulher foi retirada com ferimentos e dores, enquanto as crianças apresentaram escoriações leves. A família solicitou a transferência da paciente para uma unidade particular, e a equipe médica já planeja a cirurgia para garantir a estabilidade da coluna e minimizar danos adicionais à medula.

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