Parque do Povo em Campina Grande durante o São João, com a pirâmide decorada e a área expandida integrada ao Parque Evaldo Cruz.

Parque do Povo celebra 40 anos de história em Campina Grande com ampliação recorde e consolidação como epicentro cultural do nordeste brasileiro

Parque do Povo, Campina Grande, completa 40 anos. Palco do Maior São João do Mundo e ampliado, é agora um epicentro cultural e religioso vital para a Paraíba, com uma história rica.

Quatro décadas de grandiosidade: o Parque do Povo se consolida como o principal centro de eventos e cultura em Campina Grande e na Paraíba

O Parque do Povo, ícone cultural de Campina Grande e de toda a Paraíba, celebrou 40 anos de fundação nesta quinta-feira (14). Conhecido carinhosamente como “PP”, o espaço permanece um ponto de encontro essencial para milhares de paraibanos em manifestações culturais, familiares e religiosas, tendo passado por notáveis transformações ao longo de quatro décadas. Recentemente, o complexo foi alvo da mais importante ampliação de sua trajetória, interligando-se ao Parque Evaldo Cruz, uma informação destacada pelo g1 PB.

A concepção do Parque do Povo considerou o progresso urbano, econômico e cultural da cidade de Campina Grande. O projeto começou a se materializar no início dos anos 1980, visando criar uma área de convívio para sediar eventos na região central da cidade, antes conhecida como Coqueiros de Zé Rodrigues, próxima ao Açude Novo. A idealização da construção também levou em conta a evolução dos festejos juninos locais, que, inicialmente descentralizados, passaram a se concentrar nessa área mesmo antes da inauguração oficial em 1983.

Nos primórdios, sem a estrutura que se conhece hoje, o local abrigava um rudimentar “palhoção rústico”. Ali, artistas como Capilé já se apresentavam, contribuindo inconscientemente para moldar o que décadas depois seria reconhecido como o Maior São João do Mundo.

A pirâmide: um marco arquitetônico e cultural

O arquiteto Carlos Alberto Melo de Almeida, responsável pelo projeto da pirâmide do Parque do Povo, um dos principais cartões-postais de Campina Grande e símbolo identitário da festa junina, explicou em entrevista à Rede Paraíba em 2023 a gênese do espaço. A estrutura nasceu da necessidade de construir uma área coberta dentro do parque, inicialmente batizada de “forródromo”.

O prefeito Ronaldo Cunha Lima me contratou serviços e disse que queria fazer uma festa de São João naquele local, onde todo mundo via que não tinha futuro. Ronaldo disse: ‘Faça um forródromo aí porque eu quero dançar no forródromo’, só isso que ele disse.

Declarou Carlos Alberto, então com 85 anos e residente em Recife. A construção da pirâmide rapidamente revelou a magnitude do projeto à população campinense. O arquiteto expressou o sentimento de contribuição:

Todo mundo tem sua parcela de carinho com o que vai fazer. Senti uma sensação boa de estar oferecendo aquilo para todo aquele contexto, oferecendo à comunidade. Foi uma surpresa para todo mundo que passava ali, aos poucos a Pirâmide tornou-se um marco de Campina Grande.

A ideia foi concretizada, e a imponente pirâmide foi finalizada, culminando na inauguração oficial do Parque do Povo em 14 de maio de 1986, pelo então prefeito Ronaldo Cunha Lima. Desde então, o local se tornou palco de momentos históricos para a cultura nordestina, recebendo grandes nomes como Luiz Gonzaga, e integrando-se ao imaginário popular com eventos religiosos, esportivos e até celebrações de casamentos.

Ampliação histórica e estrutura multifuncional

Em 2024, o Parque do Povo passou pela sua mais significativa ampliação recente, sendo interligado ao Parque Evaldo Cruz, que também foi revitalizado. Esta expansão permite que o Açude Novo receba parte da infraestrutura do Maior São João do Mundo em junho e julho. A obra adicionou 7.500 m² ao Parque do Povo, elevando sua área total para quase 40 mil m². A intervenção, que teve um custo de R$ 40 milhões, segundo a Secretaria de Obras da cidade, foi viabilizada por um empréstimo concedido à Prefeitura de Campina Grande e envolveu a desapropriação de 34 imóveis.

Atualmente, durante o São João de Campina Grande, o Parque do Povo é setorizado com áreas específicas para o palco principal, ilhas de forró, ativações promocionais, camarotes, além de restaurantes e quiosques. A cidade cenográfica, neste ano, está prevista para ser montada no Parque Evaldo Cruz.

Um espaço de fé e afetos inesquecíveis

Para além da forte ligação com o São João, o Parque do Povo também funciona como um relevante centro de fé e afeto. O complexo sedia o Encontro para a Consciência Cristã, um evento da comunidade evangélica que ocorre anualmente no período carnavalesco em Campina Grande. Em sua 27ª edição, em 2026, a Consciência Cristã chegou a atrair um público circulante de 100 mil pessoas, concentrando a maior parte no Parque do Povo. Durante o evento, o local é dividido em múltiplos espaços, incluindo o plenário central e a Feira do Livro (FELICC), montada na pirâmide, transformando-se em um ambiente de renovação espiritual.

Surgiu a ideia, ainda em 2002, de levarmos esse evento que estava em pleno crescimento para a principal praça de eventos da cidade, que até então vinha sendo utilizada apenas pelo São João (…) E deu muito certo! Estamos já há 23 anos no Parque do Povo, ou seja, a grande maior parte do tempo de existência da Consciência Cristã tem acontecido no Parque do Povo, esse grande pátio de eventos que está no coração da cidade de Campinha Grande, isso tem feito com que o evento a cada ano tome uma proporção maior e uma repercussão maior, não só na cidade, mas para todo o Brasil.

Explicou o Pastor Euder Faber, Presidente da Visão Nacional para a Consciência Cristã (VINACC).

No Carnaval da Paz, como são conhecidos os eventos religiosos campinenses, a pirâmide do Parque do Povo acolhe milhares de exemplares religiosos. No entanto, durante o São João, o mesmo espaço é palco de inúmeras apresentações de quadrilhas juninas. Na noite de 12 de junho, véspera do Dia de Santo Antônio, santo casamenteiro, a pirâmide se transforma em um altar para a união de 100 casais em um casamento coletivo, uma tradição recheada de afetos que moldaram a história do “PP”.

A professora Gisele Sampaio, ex-coordenadora do Casamento Coletivo por muitos anos, enfatiza a transformação do espaço para a cerimônia:

Esse evento de grande importância para o aspecto sociocultural que acontece há mais de três décadas e é importante para o local onde ele acontece até hoje, que é a pirâmide do Parque do Povo, esse espaço bucólico, exótico, único, dentro do contexto dessa singularidade que é o Parque do Povo, local onde se celebra um dos maiores festejos do Brasil. E o casamento coletivo não tinha como ficar fora de toda essa grandiosidade desse acontecimento.

A professora reiterou que, por décadas, as cerimônias acolheram uma vasta diversidade de casais, crescendo de 50 para 100 uniões anuais.

Aquele espaço abraçou, acolheu, deu vida, deu voz, deu verdade… Ele deu singularidade a um dos maiores acontecimentos da festa junina de Campina Grande, que é o tradicional casamento coletivo, e que eu tive a grata alegria de coordenar, de produzir durante décadas.

No período junino, a pirâmide também recebe o maior bolo de milho do Brasil, que em 2025 alcançou o recorde pela 11ª vez, com 49,41 metros e 692,14 quilos. No mesmo dia, o Parque do Povo é preenchido por milhares de forrozeiros que, juntos, formam a maior quadrilha junina do país, com 2,5 mil participantes.

José Sereco, decorador responsável pelas cores que enfeitam a pirâmide há décadas, possui uma conexão profunda com o local. Ele descreveu a emoção de montar as primeiras fileiras de bandeiras:

Colocar as primeiras carreiras de bandeira na pirâmide foi a coisa mais emocionante do mundo, porque era um São João pequeno, quando a gente pensava só na cidade e em se divertir (…) E a pirâmide é um canto que, para mim, é onde concentra as pessoas mais populares, as pessoas folclóricas da cidade, é o povo, é o turista que vem, se não passar aqui debaixo não é batizado! Para mim, Padre Cícero para o Juazeiro, é a pirâmide para Campina, entendeu?

O decorador expressou que, mesmo após tantos anos, decorar a pirâmide continua sendo algo singular:

Essa energia de estar debaixo dela, de criar, colorir ela, criar ela, criar personagens para ela, colocar os santos, tudo isso só me dá um grande prazer e alegria. Tudo que eu tenho foi graças ao São João. Trabalhar nessa festa para mim hoje é o máximo assim em termos de profissionalismo. Conseguir fazer cenário em Campina, na minha terra, e ser visto por todo mundo, isso é fantástico! Então, para mim, a pirâmide é tudo! É a energia primordial da grande festa de São João.

São João 2026: uma celebração ampliada

A montagem da estrutura para o São João 2026 de Campina Grande já teve início no Parque do Povo. A festa está programada para durar 33 dias, de 3 de junho a 5 de julho. A empresa organizadora do evento projetou um novo layout, com a expansão de alguns espaços para a 43ª edição, que também contará com reforço na infraestrutura. Inicialmente, a infraestrutura básica está sendo instalada nas áreas destinadas a restaurantes e barracas, facilitando o planejamento dos comerciantes. O Parque Evaldo Cruz será totalmente integrado ao Maior São João do Mundo, recebendo postos médico e policial, e uma parcela da cidade cenográfica será alocada no espaço do Açude Novo. As ilhas de forró e outros ambientes próximos à pirâmide, dedicados a ativações, serão montados posteriormente.

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