Urna eletrônica moderna em destaque durante celebração de 30 anos do TRE-PB

Um legado de três décadas que revolucionou o voto e blinda a democracia brasileira: a urna eletrônica celebra sua trajetória de inovações e combate à desinformação

O TRE-PB celebrou os 30 anos da urna eletrônica, destacando sua segurança, evolução tecnológica e combate à desinformação. Conheça o legado do equipamento para a democracia brasileira.

Solene homenagem na Paraíba reafirma a inquestionável confiabilidade do sistema eletrônico e os contínuos aprimoramentos contra ameaças à integridade eleitoral

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) marcou os 30 anos da urna eletrônica com uma cerimônia ontem (13), em sua sede, em João Pessoa. O evento, que reuniu autoridades e servidores, destacou o equipamento como um pilar da eficiência e credibilidade do pleito nacional, em uma iniciativa que integra o Programa Eleições 2026 para combater a desinformação eleitoral, conforme informações de A União.

Para Rodrigo Marques, juiz auxiliar da presidência do TRE-PB, o aparelho se estabeleceu como um instrumento de alta eficácia no cenário eleitoral do país. A Justiça Eleitoral, segundo ele, empenha-se incessantemente para preservar a confiança no sistema.

“Não há nada tão perfeito que não mereça ser melhorado, e a tendência é que essas urnas, daqui a cinco ou 10 anos, tenham mais mecanismos de proteção.”

Kéops de Vasconcelos, diretor da Escola Judiciária Eleitoral e juiz, enfatizou o papel da urna eletrônica como ferramenta essencial para a democracia. Ele sublinha a garantia de confiabilidade e segurança do voto. Para o magistrado, a evolução tecnológica constante ao longo dessas três décadas representa um valoroso legado, e a cada pleito, o aprimoramento do sistema eleva a segurança do processo.

Na Paraíba, o TRE-PB gerencia aproximadamente 12 mil urnas eletrônicas, destinadas às Eleições 2026. Esses equipamentos são mantidos em Núcleos de Voto Informatizado (NVI) localizados em João Pessoa, Campina Grande, Patos, Pombal e Cajazeiras.

Segurança, aprimoramento contínuo e fiscalização transparente

A introdução da urna eletrônica em 1996 visava essencialmente a suprimir a interferência humana na apuração e a diminuir as possibilidades de fraude no ato de votação.

Vinícius Veloso, secretário de Tecnologia da Informação do TRE-PB, destacou que o projeto passa por constantes modificações para fortalecer sua segurança e credibilidade. Ele considera que é uma evolução tanto em tecnologia quanto em processos.

“A sociedade e outras instituições podem acompanhar o trabalho da Justiça Eleitoral.”

Mecanismos de auditoria e fiscalização garantem a inviolabilidade do processo. O código-fonte dos equipamentos, por exemplo, fica acessível a mais de dez entidades, incluindo partidos políticos, com um ano de antecedência dos pleitos. Adicionalmente, são promovidos testes públicos de segurança, nos quais universidades e mesmo cidadãos comuns podem participar para avaliar o funcionamento da urna eletrônica.

José Cassimiro Júnior, da Coordenadoria de Eleições Informatizadas e Segurança Cibernética (Coesc), explica que a máxima segurança é alcançada pelo isolamento total do equipamento de qualquer conexão com a internet.

“Quando a gente diz que a urna não pode ser invadida, não é porque nós somos soberbos, mas porque somos humildes a ponto de entender e dizer para o eleitor que, se colocássemos na internet para facilitar o seu voto, ela fatalmente seria invadida.”

Diante do cenário de crescente desinformação, a Justiça Eleitoral reitera sua mensagem central de confiança no processo, incentivando os eleitores a buscar dados somente em seus canais oficiais.

A transição revolucionária do voto manual para o digital

Genedilson Monteiro, servidor do Núcleo de Sustentabilidade da Secretaria de Gestão e Inovação, testemunhou a transição ao ingressar no TRE-PB em 1996. Ele recorda que a apuração de votos era manual, com contagens individuais e boletins de papel, frequentemente resultando em longas suspensões caso houvesse contestações.

“A gente teve caso de três meses para se esperar resultado de eleição de determinados candidatos.”

Para Monteiro, a urna eletrônica revolucionou as rotinas de trabalho.

“Tudo aquilo que você fazia com 30, 40 pessoas numa seção eleitoral, a urna resolveu.”

Ele completa que a urna eletrônica não é um isolado, mas parte de um sistema global, confiável e seguro. Orgulhoso de sua participação no processo, Monteiro se sente como um dos “pais” do equipamento que hoje celebra 30 anos.

O legado democrático e o combate histórico às fraudes eleitorais

O advogado e escritor paraibano Francisco Cartaxo Rolim, autor de Do bico de pena à urna eletrônica (2006), aponta que o processo eleitoral brasileiro foi historicamente marcado por inúmeras fraudes. Ele ressalta que somente a partir da Constituição democrática de 1988, e com a reforma partidária, o cenário de segurança atual pôde emergir.

O jurista argumenta que este avanço possibilitou a ascensão de novas agremiações e líderes políticos de segmentos sociais antes sub-representados nos Poderes Executivo e Legislativo. Rolim elogia a segurança e fidelidade das urnas.

“O Brasil foi audacioso: implantou aos poucos o ‘plim-plim’ em toda nossa imensidão territorial, até mesmo nas longínquas comunidades dos nossos ancestrais povos originários! E mais: passou a exportar a conquista democrática para muitos outros países do mundo, lição de prática democrática, modelo para todos.”

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