Dólar despenca e fecha abaixo de R$ 5 com recuo de Trump no Irã, Ibovespa se recupera após tensão

Dólar volta a R$ 4,99 com alívio internacional e juros em alta no Brasil

O dólar comercial encerrou o pregão desta segunda-feira (18) negociado a R$ 4,998, marcando um recuo de 1,34% e fechando abaixo da cobiçada marca de R$ 5. A divisa, que abriu o dia cotada a R$ 5,04, sentiu o impacto positivo das declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou o adiamento de um ataque militar contra o Irã, trazendo um alívio significativo aos mercados globais.

A tensão geopolítica no Oriente Médio vinha pesando sobre os ativos de risco, mas a decisão de Trump de buscar negociações diplomáticas ajudou a reduzir a aversão ao risco. Essa mudança de cenário favoreceu a recuperação de moedas emergentes, como o real brasileiro, que se fortaleceu frente ao dólar.

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, também sentiu os efeitos da tensão, chegando a cair 0,83% no meio da tarde. No entanto, com a amenização do clima internacional, o índice recuperou parte das perdas e encerrou o dia com uma leve baixa de 0,17%, aos 176.975,82 pontos. Conforme divulgado pelo g1, o dólar acumula alta de 0,92% em maio, mas cai 8,93% no ano.

Fatores que impulsionaram o Real e a Bolsa

O recuo do dólar não se deveu apenas ao cenário internacional. Fatores domésticos também contribuíram para a valorização do real. Investidores realizaram ajustes técnicos após a recente alta da moeda americana no mercado interno. Além disso, a expectativa de que a taxa básica de juros, a Selic, permaneça elevada por mais tempo no Brasil sustentou o otimismo.

O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, revisou para cima a projeção da Selic para o fim de 2026, agora estimada em 13,25% ao ano. Essa perspectiva de juros altos tende a atrair capital estrangeiro e a dar suporte à moeda brasileira, mesmo diante de dados econômicos domésticos menos favoráveis, como a queda de 0,7% do IBC-Br em março.

Petróleo reage com cautela à decisão de Trump

O preço do petróleo, que vinha sendo influenciado pelas tensões no Oriente Médio, também reagiu à notícia. O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou em alta de 2,6%, a US$ 112,10, e o barril WTI, dos Estados Unidos, avançou 3,33%, a US$ 104,38. Apesar da alta, os preços desaceleraram após o anúncio de Trump, refletindo a cautela do mercado com a evolução das negociações diplomáticas.

Desempenho da Bolsa e Fluxo de Investidores

Apesar da recuperação no final do pregão, o Ibovespa acumula uma queda de 5,52% em maio, após ter atingido recordes em abril. No ano, o índice ainda apresenta um ganho acumulado de 9,84%. Dados da B3 indicam uma retirada líquida de R$ 3,9 bilhões por investidores estrangeiros da bolsa brasileira em maio, até a metade do mês, evidenciando um cenário de maior cautela.

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