
Presidente Lula defende exploração de petróleo na Margem Equatorial com responsabilidade e critica privatizações da Petrobras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a importância da exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, mas ressaltou a necessidade de que a atividade seja realizada com máxima responsabilidade ambiental. Durante visita à Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, Lula enfatizou que o governo atual tem um compromisso profundo com a preservação da Amazônia.
Para o presidente, a exploração nessa região estratégica é crucial não apenas para o desenvolvimento econômico, mas também para a soberania nacional. Lula argumentou que a ocupação e exploração pela própria Petrobras evitam que outros países reivindiquem a área, citando exemplos passados de intervenções estrangeiras.
“Daqui a pouco o Trump acha que é dele e vai lá. Ele achou que o Canadá era dele, ele achou que a Groenlândia era dele. Ele achou que o Golfo do México era dele. Quem garante que ele não vá dizer que a Margem Equatorial é dele também? Então nós vamos ocupar e explorar petróleo com a maior responsabilidade para fazer com que esse dinheiro possa ser revertido para garantir o futuro desse país”, declarou o presidente. A Petrobras já obteve licença do Ibama para iniciar pesquisas exploratórias na área, apontada como um novo pré-sal devido ao seu vasto potencial petrolífero. As informações são do portal Agência Brasil.
Críticas às privatizações passadas da Petrobras
Em seu discurso, Lula também direcionou críticas às privatizações da BR Distribuidora e da Liquigás, ocorridas em 2019 e 2020, respectivamente. Segundo o presidente, essas vendas foram uma estratégia para desmantelar a Petrobras, comparando a ação a vender um grande pedaço de mortadela aos poucos, até que o todo desapareça.
Ele defende que a Petrobras deve ser vista como um patrimônio brasileiro e que sua privatização traria prejuízos diretos à população, especialmente em momentos de instabilidade global, como a guerra no Oriente Médio. Lula ressaltou que os lucros adicionais da Petrobras com a exportação de petróleo, impulsionados pela alta do preço devido ao conflito, estão sendo utilizados para subsidiar os preços do diesel e da gasolina no Brasil, aliviando o bolso dos consumidores e caminhoneiros.
“Esse dinheiro a mais que a Petrobras está ganhando, estamos cobrando do imposto da exportação do petróleo para que a gente possa subsidiar o preço do diesel e da gasolina para não sobrar no bolso do brasileiro e no motorista de caminhão ou de carro. Estamos tirando dinheiro do Orçamento do governo para não permitir que esse prejuízo chegue ao povo brasileiro porque ele não tem culpa da guerra do Irã. A guerra do Irã é culpa do Trump”, afirmou o presidente.
Investimentos bilionários da Petrobras em São Paulo
A visita de Lula à Refinaria de Paulínia (Replan) serviu também para anunciar um pacote de R$ 37 bilhões em investimentos da Petrobras no estado de São Paulo até 2030. Esses recursos serão direcionados para o fortalecimento do refino, biorrefino, logística, exploração e produção, além de projetos de descarbonização e geração de energia sustentável.
Espera-se que esses investimentos gerem cerca de 38 mil postos de trabalho diretos e indiretos. A Replan, a maior refinaria do país, receberá aproximadamente R$ 6 bilhões e passará por um aumento em sua capacidade de processamento de petróleo, de 434 mil para 459 mil barris por dia. Além disso, a refinaria avançará na produção de combustível de aviação com até 5% de renováveis até o final do ano.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou ainda os investimentos na produção do Campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, e a futura declaração de comercialidade de uma nova descoberta no bloco Aram, também no pré-sal. Ela reforçou o compromisso da empresa com a segurança energética do país, visando a autossuficiência em diesel até 2030, com o objetivo de abastecer 85% do território nacional.





